Escolher um ERP para importadoras exige mais do que comparar listas de funcionalidades. Duas plataformas podem afirmar que atendem importação, financeiro, estoque e faturamento, mas responder de formas diferentes quando colocadas diante dos processos reais da empresa.
Para uma contratação planejada para 2027, a avaliação deve transformar cada necessidade da operação em um teste. Em vez de perguntar apenas se determinado recurso existe, o decisor precisa verificar como ele funciona, quais informações utiliza, onde exige intervenção do usuário e como reage quando algo foge do fluxo esperado. A proposta é sair da apresentação comercial e levar para a demonstração situações próximas da rotina da importadora.
Comece pelos processos críticos da importadora
Antes de avaliar telas ou módulos, escolha alguns processos que representem bem a operação. Eles servirão como base comum para testar todos os fornecedores.
Uma empresa pode selecionar, por exemplo, um fluxo que envolva pedido internacional, embarque, despesas, nacionalização, faturamento, entrada em estoque e reflexos financeiros. O fornecedor deve mostrar como o sistema acompanha essas etapas e como uma informação registrada no início chega aos módulos seguintes.
Esse método evita uma comparação baseada apenas na quantidade de recursos. Um ERP para importadoras pode oferecer vários módulos e ainda exigir controles externos justamente nas atividades mais frequentes.
Também inclua situações menos simples. Se a importadora trabalha com diferentes modalidades, unidades de medida, rateios, integrações ou regras fiscais, leve esses casos para a demonstração.
Como avaliar aderência fiscal?
Antes de tudo, na avaliação fiscal, não basta perguntar se o ERP emite Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). O fornecedor precisa demonstrar como o sistema utiliza os dados da importação, aplica as parametrizações e permite a conferência antes da transmissão.
Em seguida, use operações próximas da realidade da empresa e observe como a plataforma trata produtos, classificações fiscais, unidades de medida, despesas e tributos. Pergunte quais informações vêm de outros módulos e quais ainda precisam de preenchimento manual.
Também vale entender como o fornecedor acompanha alterações tributárias. Mudanças de regras podem exigir novos campos, cálculos ou parametrizações.
Assim, em vez de aceitar apenas a informação de que “o sistema calcula os impostos”, peça que o fornecedor execute uma situação conhecida e mostre quais parâmetros foram utilizados, onde o usuário confere o resultado e como trata uma divergência.
Veja também Como emitir nota de importação em poucos minutos?.

Como avaliar integração financeira e custos
Um ERP para importadoras registrar despesas e ainda manter o financeiro distante da importação. Por isso, o teste deve verificar como as duas áreas se relacionam.
Nesse sentido, escolha um processo e acompanhe seus compromissos financeiros. Observe se pagamentos, recebimentos e despesas permanecem vinculados à operação correspondente e se o financeiro aproveita informações já registradas.
Também verifique como a plataforma acompanha valores previstos e realizados e de que forma apresenta os custos associados ao processo.
A integração fiscal e financeira deve aparecer na demonstração. Se uma NF-e gera reflexos no estoque, no financeiro ou em outro módulo, peça para acompanhar esse caminho dentro da plataforma.
Esse teste mostra onde o ERP realmente conecta as áreas e onde a empresa ainda dependerá de lançamentos adicionais.
Como avaliar estoque e logística
Na gestão de estoque e logística, a principal questão é entender como a informação acompanha a mercadoria depois da importação.
Por exemplo, o teste pode começar pela entrada de um produto e seguir pelos movimentos realizados no dia a dia. Observe como o sistema registra quantidades, custos, localização e demais informações necessárias à gestão do item.
Caso a empresa utilize Warehouse Management System (WMS) ou outra plataforma logística, pergunte quais dados passam entre os sistemas, quando essa troca acontece e como eventuais falhas aparecem para o usuário.
Também verifique se os registros permanecem relacionados ao processo que originou a entrada. Quando importação e estoque funcionam de forma isolada, a equipe pode precisar reconstruir essa relação posteriormente.
Como avaliar DUIMP, documentos e processos de Comex
Um ERP para importadoras voltado ao comércio exterior precisa ser testado diante dos processos oficiais utilizados pela empresa.
Além disso, a migração da Declaração de Importação (DI) para a Declaração Única de Importação (DUIMP) ocorre de forma escalonada. Em setembro de 2026, o Portal Único ainda apresentava etapas futuras de desligamento da DI. Para uma contratação planejada para 2027, isso reforça a necessidade de avaliar como o fornecedor acompanha as mudanças do Portal Único.
Da mesma forma, o Portal Único também disponibiliza interfaces de programação de aplicações (APIs) que permitem o consumo de serviços por sistemas de terceiros. Durante a demonstração, pergunte quais integrações a plataforma utiliza, que dados consegue recuperar e como trata informações que passam por alterações posteriores.
Por fim, a parte documental também merece teste. Escolha um processo e verifique onde ficam pedidos, documentos, registros de fornecedores e arquivos relacionados. O usuário deve conseguir compreender a relação entre esses elementos sem precisar buscar informações em vários ambientes.
Veja também: Conheça a DUIMP.
Como testar automações e exceções
Automação deve ser avaliada pelo trabalho manual que realmente elimina.
Durante uma demonstração, acompanhe uma informação desde sua origem até as etapas seguintes. Observe quantas vezes o usuário precisa copiá-la, complementá-la ou cadastrá-la novamente.
Depois, peça uma situação com exceção: um item sem correspondência no cadastro, uma unidade diferente, um dado incompleto ou outra condição que exija revisão.
O objetivo é descobrir o comportamento da plataforma quando o processo não segue o cenário preparado para a apresentação.
Cada automação avaliada deve responder a duas perguntas: o que acontece no fluxo normal e o que acontece quando surge uma divergência?
Relatórios e indicadores que precisam estar disponíveis
Em primeiro lugar, ao avaliar um ERP para importadoras, a quantidade de relatórios não deve definir a escolha. O ponto é saber se a plataforma responde às perguntas que a empresa precisa fazer sobre sua operação.
Peça relatórios relacionados aos próprios processos utilizados nos testes. Verifique se é possível acompanhar custos, despesas, faturamento, estoque, financeiro e andamento das importações sem depender de consolidações externas.
Sobretudo, observe a origem dos dados. Um indicador tem mais utilidade quando a empresa consegue relacioná-lo aos registros que formaram aquele resultado.
Dessa maneira, quando o fornecedor apresentar dashboards, escolha um número e peça para chegar ao processo que o origino
Implantação, suporte e atualizações legais
Implantação e suporte também precisam entrar na matriz, já que interferem diretamente no uso do ERP para importadoras depois da contratação.
Antes de mais nada, pergunte quem participa da configuração inicial, quais responsabilidades ficam com o fornecedor e quais dependem da empresa. Verifique ainda como acontecem treinamentos, parametrizações e validações.
Por outro lado, no suporte, use situações concretas: quem atende uma falha de integração? Como o cliente acompanha a correção? Quem responde quando uma atualização externa interfere no funcionamento de determinado processo?
As mudanças em ambientes oficiais também devem entrar nessa conversa. O fornecedor precisa explicar como monitora alterações, testa os ajustes necessários e disponibiliza novas versões aos clientes.
Matriz de avaliação do ERP
A matriz transforma percepções da demonstração em uma comparação comum entre fornecedores. O ideal é definir os critérios antes das reuniões e aplicar os mesmos testes a todas as opções.
| Critério | O que validar | Evidência esperada |
|---|---|---|
| Fiscal | NF-e, regras, tributos e conferência | Execução de uma operação próxima da empresa |
| Financeiro | Relação entre processo, despesas e pagamentos | Consulta dos movimentos ligados à importação |
| Custos | Formação e acompanhamento dos valores | Detalhamento dos valores utilizados |
| Estoque | Entrada, movimentação e vínculo com a importação | Produto acompanhado até o estoque |
| DUIMP | Integração com o Portal Único | Demonstração da recuperação dos dados |
| Documentos | Organização e vínculo com processos | Consulta dos arquivos dentro da operação |
| Integrações | Comunicação com outros sistemas | Fluxo demonstrado entre as plataformas |
| Automação | Redução de lançamentos repetidos | Menor número de intervenções no processo |
| Exceções | Tratamento de divergências | Demonstração de um caso fora do padrão |
| Relatórios | Visão operacional e gerencial | Indicador ligado aos registros de origem |
| Atualizações | Acompanhamento de mudanças externas | Processo de teste e atualização |
| Suporte | Atendimento de problemas | Fluxo de abertura e acompanhamento |
A empresa pode atribuir pesos diferentes aos critérios conforme sua operação. Se faturamento e DUIMP concentram as principais necessidades, esses itens podem ter peso maior do que funcionalidades pouco utilizadas.
No Gett Pro, os módulos abrangem controle de importação, faturamento, estoque e financeiro, além de integrações com ERPs, marketplaces e sistemas logísticos. A plataforma também contempla emissão de NF-e via DUIMP e gestão financeira vinculada aos processos de importação.
Então, se a sua empresa está comparando opções de ERP, vale levar os próprios processos para uma demonstração e ver como o Gett Pro responde à rotina que vocês já conhecem. É uma forma mais concreta de entender se a plataforma faz sentido antes da decisão.
Veja também: ERP para importação, quando trocar de sistema na importadora e software para importadores.
FAQ – Perguntas frequentes sobre ERP para importadoras
Defina os processos críticos, transforme as necessidades em critérios e teste todos os fornecedores com as mesmas situações.
Depende da operação. Portal Único, financeiro, estoque, faturamento e sistemas logísticos podem estar entre as integrações necessárias.
Use uma operação conhecida e peça ao fornecedor para demonstrar parametrizações, cálculos, conferência e tratamento de divergências.
Os que permitem acompanhar os processos, custos, faturamento, financeiro e estoque que a empresa realmente precisa analisar.
Aplique os mesmos processos e critérios e observe quanto cada solução atende sem controles externos, adaptações ou lançamentos repetidos.
Valide processos críticos, integrações, exceções, relatórios, suporte, implantação e a forma como o fornecedor acompanha mudanças que afetam a operação.