Como melhorar a precificação de produtos importados e evitar prejuízos
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Como melhorar a precificação de produtos importados e evitar prejuízos?

Precificar um produto não é algo tão simples como pode parecer, tanto que uma pesquisa realizada pela startup Preço Certo com 10 mil empresas brasileiras mostrou que 89% das empresas não sentem confiança no momento da formação de preço de seus produtos, e quando se trata da precificação de produtos importados, esse processo tende a ser mais desafiador.

Ao contrário das operações domésticas, a importação exige atenção a uma combinação complexa de variáveis tributárias, logísticas e cambiais. Nesse sentido, esses fatores interagem constantemente e podem alterar o custo final da mercadoria. Afinal, um pequeno erro na precificação de produtos importados pode transformar um lucro aparente em uma fonte recorrente de prejuízos.

Muitas vezes, as empresas enfrentam dificuldades devido a fragilidades no método de formação de preços, e não por falta de demanda. Isso ocorre porque elas constroem a precificação com base em estimativas genéricas ou planilhas desatualizadas. Infelizmente, esses parâmetros ignoram a realidade normativa, cambial e operacional do momento atual.

Consequentemente, essa prática expõe o negócio a riscos financeiros graves e compromete a margem de lucro estimada. Além disso, a empresa perde a capacidade de realizar um planejamento seguro para o futuro.

Com base nisso, apresentamos ao longo deste texto os principais elementos que influenciam o custo de uma importação. A seguir, abordamos os erros mais comuns e as boas práticas que protegem a sua rentabilidade. Dessa forma, você aumenta a precisão dos cálculos e evita prejuízos durante todo o processo.

Como melhorar a precificação de produtos importados e evitar prejuízos

A importância de compreender o custo real de uma operação de importação

Primordialmente, um dos equívocos mais frequentes na precificação de produtos importados é a confusão entre o preço de compra e o custo total da operação. Afinal, o valor negociado com o fornecedor internacional representa apenas o ponto de partida. Isso ocorre porque, a partir dele, incidem diversos custos adicionais que, somados, elevam substancialmente o valor final da mercadoria.

Nesse sentido, o custo real de uma importação engloba o transporte internacional, tributos federais e estaduais, além de encargos aduaneiros. Da mesma forma, você deve considerar os custos logísticos internos, taxas portuárias e despesas administrativas. Portanto, ignorar ou subestimar qualquer um desses componentes gera erros graves na precificação e compromete a viabilidade do negócio.

Para evitar prejuízos, a empresa precisa adotar uma visão analítica completa da operação. Dessa forma, estruturar o custo de importação de maneira detalhada, documentada e rastreável torna-se essencial. Em última análise, essa visão ajuda a identificar pontos de otimização e reduz as incertezas no momento de definir o preço de venda no mercado interno.

O impacto dos Incoterms na formação do custo de uma importação

Os Incoterms exercem influência direta na precificação de produtos importados, pois eles definem a responsabilidade de cada parte (importador e exportador) sobre custos, riscos e etapas da operação.

Utilizar um Termo Internacional de Comércio sem critério ou conhecimento pode gerar interpretações equivocadas sobre quais despesas o preço da mercadoria inclui e quais o importador assumirá.

Por exemplo, em operações sob Incoterms do grupo C ou D, o valor da fatura comercial pode embutir parte dos custos. Enquanto isso, nos grupos E ou F, o importador arca integralmente com essas despesas.

Para uma precificação correta, é indispensável compreender com precisão onde termina a responsabilidade do exportador e onde se inicia a do importador.

Os reflexos diretos da classificação fiscal no preço do produto importado

A classificação fiscal da mercadoria determina a precificação de produtos importados, visto que o código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) estabelece o tratamento tributário e administrativo da mercadoria.

Uma classificação tarifária incorreta pode gerar dois cenários igualmente prejudiciais, sendo que no primeiro a empresa recolhe tributos em excesso, elevando artificialmente o custo do produto e, consequentemente, reduzindo a sua competitividade no mercado.

Em contrapartida, no segundo cenário, a empresa recolhe tributos a menor. Consequentemente, ela fica exposta a autuações fiscais e cobranças retroativas. Além disso, multas e penalidades pesadas impactam diretamente o resultado financeiro de toda a importação.

Para evitar esses riscos, fundamente sempre a sua precificação em uma classificação fiscal correta. Nesse sentido, utilize laudos técnicos ou pareceres especializados. Se possível, busque consultas formais junto à Receita Federal (RFB) para garantir suporte jurídico à sua operação.

Afinal, esse cuidado assegura a previsibilidade tributária do negócio. Dessa forma, você evita surpresas que podem comprometer a margem de lucro e até mesmo a viabilidade da sua operação internacional.

Um ponto importante a destacar, é que o módulo “TEC Avançada” do software de importação da Gett, o Gett Pro, ajuda avaliar com maior precisão a classificação fiscal de mercadorias importadas.

A classificação fiscal da mercadoria determina a precificação de produtos importados, visto que o código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) estabelece o tratamento tributário e administrativo da mercadoria.Uma classificação tarifária incorreta pode gerar dois cenários igualmente prejudiciais, sendo que no primeiro a empresa recolhe tributos em excesso, elevando artificialmente o custo do produto e, consequentemente, reduzindo a sua competitividade no mercado.Em contrapartida, no segundo cenário, a empresa recolhe tributos a menor. Consequentemente, ela fica exposta a autuações fiscais e cobranças retroativas. Além disso, multas e penalidades pesadas impactam diretamente o resultado financeiro de toda a importação.Para evitar esses riscos, fundamente sempre a sua precificação em uma classificação fiscal correta. Nesse sentido, utilize laudos técnicos ou pareceres especializados. Se possível, busque consultas formais junto à Receita Federal (RFB) para garantir suporte jurídico à sua operação.Afinal, esse cuidado assegura a previsibilidade tributária do negócio. Dessa forma, você evita surpresas que podem comprometer a margem de lucro e até mesmo a viabilidade da sua operação internacional.Um ponto importante a destacar, é que o módulo “TEC Avançada” do software de importação da Gett, o Gett Pro, ajuda avaliar com maior precisão a classificação fiscal de mercadorias importadas.

Com a TEC Avançada do Gett Pro é possível realizar consultas ilimitadas de NCMs, com rápido acesso, 100% em nuvem, e com atualizações diárias e acesso a informações legais, com total segurança dos dados que asseguram a redução de riscos na operação de importação.

A influência da carga tributária na precificação de produtos importados

A carga tributária incidente sobre a importação representa uma parcela expressiva do custo total da mercadoria.

Imposto de Importação (II), IPI, PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação e o ICMS devem ser corretamente calculados, considerando suas bases de cálculo, alíquotas vigentes e até mesmo possíveis benefícios fiscais.

E com o período de transição da Reforma Tributária brasileira que teve início em janeiro de 2026 e que consolida o modelo IVA Dual, essa atenção deve ser redobrada, considerando a unificação dos tributos federais (IPI, PIS e Cofins) pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que é de competência federal, além da criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que traz a unificação do ICMS e do ISS sob a competência compartilhada entre estados, municípios e o Distrito Federal.

Quanto à Reforma Tributária, o importador deve acompanhar de perto o funcionamento do período de transição. Além disso, ele precisa analisar a base de cálculo da CBS e do IBS. Isso porque essas novas bases superam consideravelmente os parâmetros dos tributos que incidem na importação atual, como IPI, PIS e Cofins.

Base de cálculo da CBS e do IBS

A base de cálculo da CBS e do IBS está prevista no Art. 69 da Lei Complementar nº 214/2025, e nele está listado os componentes que devem ser acrescidos ao valor aduaneiro da mercadoria importada, tais como:

  • Imposto de Importação (II);
  • Imposto Seletivo (IS);
  • Taxa de Utilização do Siscomex (Sistema Integrado do Comércio Exterior);
  • Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM);
  • Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide-Combustíveis);
  • Direitos antidumping;
  • Direitos compensatórios;
  • Medidas de salvaguarda; e
  • Quaisquer outros impostos, taxas, contribuições ou direitos incidentes sobre os bens importados até a sua liberação.

O importador deve ainda revisar seu planejamento tributário. Isso porque, com o fim da guerra fiscal entre portos, o estado onde reside o consumidor final ou o adquirente receberá os impostos. O local onde a empresa nacionaliza as mercadorias não define mais o destino do tributo. Consequentemente, essa mudança extingue o acesso aos incentivos fiscais que determinados estados brasileiros ofereciam até então.

A influência dos custos logísticos e das despesas aduaneiras e administrativas na precificação de produtos importados

Frete internacional, seguro, taxas portuárias/aeroportuárias, armazenagem alfandegada, custos de transporte interno, despesas aduaneiras e custos administrativos são componentes que impactam diretamente o custo da importação.

Infelizmente, em muitos casos esses valores são subestimados na fase do levantamento de custos, principalmente quando a empresa utiliza médias históricas ou projeções genéricas.

A volatilidade nos preços de frete internacional, as variações das tarifas portuárias/aeroportuárias praticadas por cada terminal e as particularidades de cada operação tornam inadequado o uso de parâmetros fixos para a formação de preços, afinal, cada importação possui características próprias que devem ser analisadas individualmente.

Uma precificação adequada e eficiente exige a consolidação de todos esses custos, desde a origem até o destino final da mercadoria. A falta dessa visão integrada pode levar a preços de venda que não refletem o custo real da operação, comprometendo a rentabilidade do negócio.

O papel do câmbio na precificação de produtos importados

As alterações na taxa de câmbio entre o momento da negociação e o fechamento de câmbio podem impactar diretamente o custo da mercadoria importada.

As empresas que não adotam estratégias de gestão cambial acabam ficando expostas a oscilações que podem acabar com a rentabilidade do negócio.

Sem falar que a definição do preço de venda sem considerar cenários cambiais alternativos reduz a capacidade de reação da empresa diante de movimentos abruptos do mercado.

Para melhorar a precificação de produtos importados é primordial trabalhar com simulações cambiais, estabelecer políticas internas de proteção e definir margens que absorvam as variações cambiais dentro de limites previamente analisados.

Essa prática aumenta a previsibilidade financeira para a empresa e ainda reduz a probabilidade de prejuízos inesperados.

O impacto das despesas financeiras no preço final da mercadoria

Custos financeiros associados à importação são frequentemente não considerados na formação de preços.

Juros de financiamento, custos de antecipação de pagamento, variações cambiais negativas, taxas bancárias e prazos de capital imobilizado influenciam diretamente o resultado da operação.

Quando esses custos não são incorporados à precificação, a empresa pode apresentar uma margem de lucro aparentemente satisfatória no papel, mas resultados financeiros inferiores ao esperado na prática.

A análise do custo de capital e do prazo de retorno do investimento deve fazer parte da metodologia de precificação de produtos importados.

Uma formação de preços tecnicamente consistente deve considerar, acima de tudo, o impacto financeiro da operação ao longo do tempo, e não apenas o custo imediato da mercadoria.

Definição da margem de lucro na formação de preços

Definir a margem de lucro de um produto importado exige mais do que aplicar um percentual padrão sobre o custo.

A margem deve refletir o nível de risco da operação, a complexidade regulatória em torno da mercadoria importada, a volatilidade cambial e a previsibilidade da demanda.

Produtos sujeitos a tratamentos administrativos rigorosos ou dependentes de fornecedores internacionais específicos exigem margens de lucro compatíveis com esses riscos, e ignorar esse aspecto pode levar a preços que não compensam os desafios operacionais envolvidos.

A análise de risco integrada à precificação de produtos importados ajuda a empresa a tomar melhores decisões e a proteger o negócio contra perdas financeiras decorrentes de eventos não previstos.

O uso de dados e controles para aprimorar a precificação de produtos importados

A melhoria da precificação de produtos importados passa, necessariamente, pela qualidade das informações utilizadas.

Dados incompletos, desatualizados ou não integrados comprometem a confiabilidade dos cálculos e dificultam a tomada de decisão em importar ou considerar a aquisição de produto nacional.

As empresas que estruturam seus processos com base em controles precisos, histórico de custos, acompanhamento do mercado financeiro e a revisão periódica de parâmetros conseguem ajustar seus preços de forma mais eficiente e, assim, reduzir perdas financeiras.

A padronização de metodologias, aliada ao uso de ferramentas tecnológicas adequadas de gestão, contribui para a consistência da precificação de produtos importados e para a rentabilidade do negócio.

Conte com a Gett para melhorar a precificação de seus produtos importados

Melhorar a precificação de produtos importados e evitar prejuízos exige muito mais do que o levantamento de todos os custos envolvidos e da definição da margem de lucro, exige o uso de um software especializado capaz de fazer a gestão de cada etapa da operação, desde a correta classificação fiscal até a disponibilização da mercadoria nas instalações do importador.

A boa notícia é que o software de importação da Gett faz a gestão completa de sua operação de importação e ainda oferece o controle de seu estoque, de seus pedidos de venda nacional, de seu financeiro e muito mais.

Melhorar a precificação de produtos importados e evitar prejuízos exige muito mais do que o levantamento de todos os custos envolvidos e da definição da margem de lucro, exige o uso de um software especializado capaz de fazer a gestão de cada etapa da operação, desde a correta classificação fiscal até a disponibilização da mercadoria nas instalações do importador.A boa notícia é que o software de importação da Gett faz a gestão completa de sua operação de importação e ainda oferece o controle de seu estoque, de seus pedidos de venda nacional, de seu financeiro e muito mais.

Com o Gett Pro, você consegue, além de tudo, melhorar a precificação de seus produtos importados e evitar prejuízos financeiros.

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FAQ

Qual a diferença entre preço de compra e custo real na importação?

O preço de compra é o valor pago ao fornecedor, enquanto o custo real soma frete, seguros, tributos, taxas aduaneiras e despesas administrativas.

Como a NCM incorreta afeta o lucro da empresa?

Uma classificação errada pode levar ao pagamento excessivo de impostos ou gerar multas pesadas e autuações fiscais, reduzindo a margem de lucro.

Qual o impacto da Reforma Tributária de 2026 na precificação?

A reforma introduz o IVA Dual (CBS e IBS), alterando a base de cálculo e extinguindo incentivos fiscais baseados no local de nacionalização.

Por que os Incoterms são fundamentais na formação do preço?

Eles determinam quais responsabilidades e custos (como frete e seguro) são do exportador e quais devem ser assumidos e calculados pelo importador.

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Jonas Vieira

Jonas Vieira é especialista em Comércio Exterior e Comunicação com trajetória consolidada desde 2007.Sua experiência operacional foi feita na gestão de importações para setores de alta complexidade, como as indústrias naval, química e de tecnologia. O domínio técnico abrange o ciclo completo da importação: do planejamento de viabilidade e classificação fiscal (NCM) à aplicação de regimes aduaneiros especiais e gestão de logística internacional.Em 2018, redirecionou sua expertise para o marketing B2B, percebendo a necessidade de humanizar e simplificar a comunicação técnica no setor.Como fundador e CEO do Grupo Invoice, lidera a principal agência de marketing especializada em Comércio Exterior no Brasil.Sob sua gestão, já palestrou para mais de 1000 pessoas e o Invoice Cast tornou-se o podcast mais assistido da área de Comércio Exterior no país, reconhecido pelo Spotify entre os 5% mais compartilhados globalmente.A carreira de Jonas integra o rigor operacional à inovação digital. Através de centenas de publicações e artigos técnicos, com humor e simplicidade, ele demonstra autoridade em transformar burocracias complexas em conteúdo acessível e com retorno em novos clientes.Sua atuação prova que o conhecimento técnico profundo, aliado à comunicação assertiva, é o caminho para gerar autoridade e novos negócios.

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