Hedge Cambial: o que é e como proteger sua empresa da variação do dólar
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Hedge Cambial: o que é e como proteger sua empresa da variação do dólar

A volatilidade cambial é uma das variáveis mais sensíveis para as operações das empresas que atuam no comércio internacional.

Oscilações abruptas na taxa de câmbio acabam comprometendo a margem de lucro dessas empresas, distorcem suas projeções financeiras e geram impactos em seus fluxos de caixa, entretanto, a utilização do Hedge Cambial reduz os riscos associados às variações do dólar.

O Hedge Cambial é um instrumento que permite maior previsibilidade financeira para as empresas quando bem utilizado, mas ainda assim, de acordo com um estudo realizado pelo Citizens Commercial Bank sobre gestão de riscos com 350 empresas de capital aberto nos EUA, 74% dessas empresas estão expostas ao risco cambial, entretanto, somente 54% delas utilizam instrumentos de Hedge Cambial.

Por isso, é importante que a sua empresa compreenda o que é o Hedge Cambial e as formas de se proteger da variação do dólar.

Ilustração com escudo, gráfico financeiro e símbolo de dinheiro em ciclo representando estratégias de proteção com hedge cambial.

O que é Hedge Cambial?

Hedge Cambial é um conjunto de operações financeiras utilizadas para neutralizar ou reduzir os efeitos das oscilações da taxa de câmbio sobre ativos, passivos, receitas ou despesas denominadas em moeda estrangeira.

Na prática, trata-se de estabelecer uma posição de proteção que compense eventuais perdas decorrentes da valorização ou desvalorização do dólar frente ao real.

O conceito de Hedge Cambial está diretamente ligado à gestão de riscos, pois ao contratar um instrumento de hedge, a empresa não busca obter ganhos adicionais com a variação cambial, mas sim garantir que o valor futuro de uma obrigação ou recebível seja conhecido previamente ou, ao menos, esteja dentro de uma faixa controlada.

Essa previsibilidade é essencial para contratos de médio e longo prazo, nos quais a exposição ao câmbio tende a ser maior.

É importante destacar que o Hedge Cambial não elimina completamente o risco, mas o transforma, pois ao abrir mão de possíveis ganhos com uma variação favorável do dólar, a empresa reduz a possibilidade de perdas significativas em um cenário oposto e, dessa forma, o hedge atua como uma ferramenta de equilíbrio financeiro.

Quando ocorre a exposição cambial nas empresas?

A exposição cambial ocorre sempre que uma empresa possui fluxos financeiros atrelados a moedas estrangeiras. Nesse cenário, o gestor classifica essa exposição de diferentes formas, conforme a natureza da operação e o potencial impacto sobre os resultados.

A exposição tradicional vincula-se a compromissos já assumidos, como contratos de importação, exportação ou pagamentos futuros em dólar. Nesse caso, a variação cambial afeta diretamente o valor que a empresa pagará ou receberá.

Já a exposição econômica associa-se ao impacto do câmbio sobre a competitividade da empresa. Mesmo sem contratos diretos em moeda estrangeira, a empresa sofre efeitos indiretos da valorização ou desvalorização do dólar. Isso ocorre pois a alta da moeda eleva o custo de insumos importados.

Além disso, a variação cambial pressiona os preços que a organização pratica no mercado interno.

Diante dessas exposições, o gestor estrutura o Hedge Cambial para reduzir cada uma delas, desde que estabeleça um diagnóstico claro dos riscos envolvidos e dos objetivos da empresa.

Por que a variação do dólar representa um risco constante para as empresas?

O dólar exerce influência direta sobre diversos componentes da economia brasileira, visto que além de ser a principal moeda utilizada no comércio internacional, ele serve como referência para preços de commodities, contratos de frete internacional, seguros e financiamentos externos.

Para as empresas importadoras, a valorização do dólar eleva o custo de aquisição de mercadorias. Consequentemente, esse movimento pressiona as margens de lucro e exige reajustes de preços que o mercado nem sempre absorve.

Já no caso das empresas exportadoras, a desvalorização do dólar pode reduzir a rentabilidade das operações, principalmente quando os custos estão majoritariamente denominados em reais.

A volatilidade cambial dificulta o planejamento financeiro das empresas. Isso ocorre porque movimentos bruscos no câmbio em curtos períodos tornam as projeções de custos, receitas e investimentos menos confiáveis. Apesar disso, o gestor utiliza o Hedge Cambial como um instrumento de resposta a essa instabilidade.

Principais instrumentos de Hedge Cambial

Existem diferentes instrumentos disponíveis no mercado para a realização de Hedge Cambial e a escolha mais adequada depende do perfil da empresa, do tipo de exposição cambial e do horizonte de tempo da operação.

Contratos a termo e NDF

O contrato a termo e o NDF (Non-Deliverable Forward), são um dos instrumentos mais utilizados pelas empresas.

Esses acordos fixam uma taxa de câmbio para liquidação futura, sendo que no vencimento, a empresa tem o direito e geralmente a obrigação de comprar ou vender a moeda pela taxa travada.

Entretanto, no NDF não há a entrega física da moeda, ocorrendo na data de vencimento a liquidação financeira da diferença entre a taxa contratada e a taxa de mercado.

Contrato futuro de dólar

Os contratos futuros de dólar são negociados em bolsa e possuem padronização de valores, prazos e ajustes diários.

Diferente do que acontece no NDF, esses contratos exigem margem de garantia e estão sujeitos a ajustes financeiros diários conforme a variação do preço do contrato.

Esse instrumento é mais comum entre empresas com maior estrutura financeira e capacidade de acompanhar diariamente as oscilações do mercado.

Opções de câmbio

As opções de câmbio oferecem o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender dólar a uma taxa previamente definida.

Esse instrumento possibilita que a empresa se proteja contra movimentos desfavoráveis, o que mantém a possibilidade de se beneficiar de variações cambiais favoráveis.

Em contrapartida, o custo das opções de câmbio tende a ser mais elevado, pois envolve o pagamento de um prêmio no momento da contratação.

Swaps cambiais

O swap cambial é um contrato de troca de indexadores, no qual uma parte assume a variação do câmbio e a outra assume uma taxa de juros, por exemplo.

Esse instrumento é frequentemente utilizado para proteger financiamentos ou dívidas atreladas ao dólar.

Como estruturar uma política de Hedge Cambial?

A adoção do Hedge Cambial deve estar inserida em uma política financeira bem definida, sendo que o primeiro passo é mapear todas as exposições cambiais da empresa, de forma a identificar valores, prazos, moedas envolvidas e potenciais impactos.

Em seguida, é necessário definir objetivos claros, considerando que algumas empresas optam por proteger 100% da exposição, enquanto outras preferem realizar hedge parcial, sendo uma forma de equilibrar custo e nível de proteção.

O gestor deve também definir quais instrumentos de Hedge utilizará, além de estabelecer os critérios para contratar, renovar ou encerrar as operações. Nesse sentido, ele precisa alinhar esses critérios ao planejamento financeiro e à capacidade operacional da empresa.

Embora o Hedge Cambial funcione como uma ferramenta eficaz de proteção, a empresa deve avaliar os custos envolvidos. Isso ocorre porque essas operações incluem taxas bancárias, spreads, prêmios de opções e exigências de margem de garantia.

Vale ressaltar, ainda, que o hedge não substitui uma gestão financeira eficiente. Afinal, o gestor deve aplicá-lo como um complemento a práticas sólidas de controle de custos, formação de preços e análise de cenários.

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FAQ

O Hedge Cambial serve para lucrar com a alta do dólar?

Não, pois o objetivo do hedge é proteger o caixa e garantir previsibilidade, não realizar especulação financeira.

Qual a diferença entre NDF e Contrato Futuro?

O NDF é um contrato customizado entre empresa e banco, enquanto o futuro é padronizado e negociado em bolsa de valores.

É caro estruturar uma operação de Hedge?

O custo varia conforme o instrumento, visto que opções exigem pagamento de prêmio e contratos a termo envolvem taxas bancárias.

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Jonas Vieira

Jonas Vieira é especialista em Comércio Exterior e Comunicação com trajetória consolidada desde 2007.Sua experiência operacional foi feita na gestão de importações para setores de alta complexidade, como as indústrias naval, química e de tecnologia. O domínio técnico abrange o ciclo completo da importação: do planejamento de viabilidade e classificação fiscal (NCM) à aplicação de regimes aduaneiros especiais e gestão de logística internacional.Em 2018, redirecionou sua expertise para o marketing B2B, percebendo a necessidade de humanizar e simplificar a comunicação técnica no setor.Como fundador e CEO do Grupo Invoice, lidera a principal agência de marketing especializada em Comércio Exterior no Brasil.Sob sua gestão, já palestrou para mais de 1000 pessoas e o Invoice Cast tornou-se o podcast mais assistido da área de Comércio Exterior no país, reconhecido pelo Spotify entre os 5% mais compartilhados globalmente.A carreira de Jonas integra o rigor operacional à inovação digital. Através de centenas de publicações e artigos técnicos, com humor e simplicidade, ele demonstra autoridade em transformar burocracias complexas em conteúdo acessível e com retorno em novos clientes.Sua atuação prova que o conhecimento técnico profundo, aliado à comunicação assertiva, é o caminho para gerar autoridade e novos negócios.

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