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Tendências para Comércio Exterior: o que esperar do Comex em 2022

A pandemia do coronavírus escancarou diversos gargalos logísticos. Vimos como os padrões de consumo podem desestabilizar a economia mundial e desencadear uma série de fatores que criam tendências para Comércio Exterior, como: a enorme alta dos fretes internacionais, a escolha de armadores por melhores portos e rotas, voos cancelados, escassez de container e, por consequência, o aumento generalizado no preço de diferentes produtos para o consumidor final.

Por outro lado, ao longo desses dois anos, o Brasil registrou recordes históricos em sua balança comercial. O e-commerce impulsionou muito as atividades de Comércio Exterior, a desburocratização da área também chamou muito a atenção e esse assunto marcou presença em milhares de lives transmitidas por profissionais de Comex— que nunca antes foram tão unidos, ainda que de forma online, com o objetivo de educar cada vez mais o público.

No final de cada ano é normal especialistas compartilharem suas expectativas para o ano seguinte e no Comércio Exterior não é diferente. Já é possível encontrar algumas publicações de estimativas que afirmam como as exportações irão aumentar no próximo ano ou como irão recuar. 

Mesmo com muita especulação, existem movimentos que estão acontecendo na área e tendem a se manter ainda mais fortes. É isso que veremos ao longo deste artigo. Continue a leitura!

1. Desburocratização como uma das tendências para Comércio Exterior brasileiro

Durante muitos anos profissionais do Comércio Exterior sonharam com as medidas de desburocratização propostas pelo Governo. Desde 2014 com o lançamento do Portal Único as medidas de simplificação vêm se intensificando e oferecendo aos players maior transparência, previsibilidade, redução de tempo e, consequentemente, de custos para as operações.

2. Novo Processo de Importação, CCT e OEA

Para alcançar esses objetivos os processos de importação e exportação foram redesenhados: o Novo Processo de Exportação já está concluído e o Novo Processo de Importação aos poucos mostra seus resultados.

Em 2021 testemunhamos a implementação da DUIMP também para empresas que não são OEA e os primeiros testes do Controle de Carga e Trânsito (CCT) para importação aérea que deverão ser lançados pelos agentes de carga e companhias por meio de API.

Com a expansão do Novo Processo de Importação (NPI) espera-se ainda mais melhorias no sentido de desburocratização da área, o que proporcionará mais eficiência operacional, segurança e controle — sendo uma grande tendência para Comércio Exterior em 2022.

A atualização mais recente referente à DUIMP ainda este ano (2021) foi a possibilidade do despacho antecipado para empresas que são certificadas como Operador Econômico Autorizado.

Em razão disso, é também uma tendência que cada vez mais empresas busquem pela certificação OEA e se tornem parceiros confiáveis da Receita Federal do Brasil, isso garante mais segurança, integração, controle de riscos, facilidade e simplificação no despacho aduaneiro para empresas certificadas e benefícios em diversas aduanas do mundo.

A pandemia intensificou a desburocratização e a tendência é que existam cada vez mais ações para facilitar e agilizar o Comex, isso melhora a rotina dos colaboradores e traz mais oportunidades de negócios para o setor.

3. Fretes altos e estratégias

São baixas as expectativas quanto à queda do frete internacional. Em novembro deste ano, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) alertou sobre a inflação ao consumidor aguardada em 2022 que será provocada pelo alto valor do frete marítimo.

“Os preços ao consumidor crescerão significativamente no próximo ano até que as interrupções nas cadeias de abastecimento de mercadorias sejam desbloqueadas, e os congestionamentos nos portos e terminais sejam resolvidos”. afirmou a UNCTAD em um relatório sobre o transporte marítimo de 2021.

Em vista disso, uma das tendências para Comércio Exterior é que as empresas continuem procurando estratégias e estudando formas de contornar a crise e driblar os atuais desafios da cadeia de suprimentos.

Alguns especialistas afirmam que existem fortes tendências para Comércio Exterior dos países preferirem adquirir mercadorias de países mais próximos ou vizinhos, mesmo que o produto seja mais caro, uma vez que o valor do transporte internacional mais baixo, somado a benefícios de blocos econômicos, pode compensar.

4. Marketing e Comunicação Digital para Comércio Exterior

A pandemia acelerou a transformação digital em muitas empresas, assim como para profissionais do Comércio Exterior, trazendo mais integração, melhorando a comunicação, otimizando operações e aumentando vendas.

Percebemos diversos profissionais investindo no seu marketing pessoal nas redes sociais com objetivo de compartilhar seus conhecimentos e construir autoridade em suas áreas de atuação. 

Empresas da área que antes não investiam em marketing digital também passaram a investir para alcançar um bom posicionamento online através da ajuda de redes sociais e streamings como LinkedIn, Instagram, YouTube e Spotify.

Esse movimento tende a permanecer a longo prazo e veremos cada vez mais investimentos em comunicação digital para o setor de Comércio Exterior.

Outra grande tendência na área é um maior investimento em Inbound Marketing e a redução do marketing de interrupção, dando lugar para o marketing de permissão, aquele em que o cliente aceita participar da jornada de compra por conta própria, em vez de ser interrompido durante sua jornada de trabalho para uma abordagem de vendas.

5. Meio ambiente e sustentabilidade

Atualmente, grande parte das exportações brasileiras é composta por produtos agropecuários: soja, carnes dos mais variados tipos e suas miudezas, café, milho, algodão, entre outros. 

Ao mesmo tempo que o Brasil alimenta diversos países do mundo, ele está sendo muito cobrado internacionalmente por sua participação em um equilíbrio sustentável entre meio ambiente e economia. 

A pauta de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) será muito abordada entre as empresas públicas e privadas em 2022 e o mundo estará olhando para o Brasil quanto a isso.

Gigantes do setor e startups já têm se posicionado e implementado ações para contribuir com o meio ambiente com políticas contra o desmatamento, cumprimento total da legislação ambiental e neutralização da emissão dos gases poluentes. Já é uma realidade também o movimento de armadores para contribuir com o controle e redução de poluentes.

Ainda falando sobre o meio ambiente, são aguardadas mais importações de equipamentos que colaborem com a energia renovável, ou seja, aquela energia que não gera poluentes e não causa prejuízos irreversíveis para a natureza, como a energia solar, hídrica e eólica.

6. Transformação digital e suas tendências para Comércio Exterior

Para os próximos anos espera-se que as decisões sejam mais assertivas com apoio de Big Data, isso é, o gerenciamento de diferentes dados do mercado, que muitas vezes eram difíceis de serem visualizados e analisados. Para isso é necessário um software de Comércio Exterior que ofereça tratamento, organização e entregue uma boa visualização de dados.

Vale salientar que, para que um dado se torne inteligência, é necessário a aplicação de uma experiência profissional que tome uma ação adequada e oportuna. Portanto, a tecnologia sempre deve andar ao lado dos recursos humanos, sendo umas das fortes tendências para Comércio Exterior em 2022.

E-commerce

As importações brasileiras de 2021 foram muito impulsionadas pelo comércio eletrônico. Em 2021 as vendas durante a Black Friday aumentaram 31% durante a semana que antecedeu a data. E esse número tende aumentar ainda mais no próximo ano. Portanto, empresas do Comércio Exterior devem estar atentas a esse setor que promete grandes lucros.

Tecnologia e Pessoas

É extremamente necessário que empresas e profissionais não negligenciem a tecnologia se quiserem permanecer competitivos no mercado. A tecnologia já revolucionou o Comércio Exterior e promete otimizar ainda mais operações e vendas

Espera-se que o Comex esteja ainda mais integrado com outros departamentos, despertando interesse de outras áreas e trazendo benefícios para o cliente final. Essas são algumas tecnologias que ouviremos falar ainda mais na área do Comércio Exterior em 2022: 

  • automações e processos inteligentes; 
  • pagamentos internacionais e remessas rastreáveis através de BlockChain; 
  • Inteligência Artificial (IA); 
  • Internet das Coisas (IoT).

E quando falamos dessas tecnologias elas podem estar presentes tanto nas operações para uma conferência documental, por exemplo, com ajuda de IA ou até mesmo em portos com empilhadeiras inteligentes e sem interferência humana. 

São diversos portos, aeroportos e terminais investindo em tecnologia e muitas empresas investindo em softwares e aplicativos que agilizam, facilitam, reduzem custos operacionais e centralizam informações para os players.

É importante salientar que quando se fala em tecnologia e máquinas substituindo atividades humanas é extremamente necessário ter um plano de realocação das atividades dos profissionais de modo que empresa e colaborador sejam beneficiados. 

Percebemos nos últimos anos o início de um movimento das empresas de Comércio Exterior em oferecer um bom ambiente de trabalho e boas condições, em especial objetivando reduzir a rotatividade que gera grandes prejuízos dentro de uma organização. 

Empresas que não se adequarem e entenderem a importância disso perderão seus recursos mais valiosos para seus concorrentes.

Quer entender mais sobre como a tecnologia está revolucionando o Comércio Exterior? Leia mais artigos no blog da Gett!

Kauana Pacheco

Kauana é formada em Negócios Internacionais e é especialista em Big Data & Market Intelligence. Kauana é a fundadora da ComexLand, onde atua como especialista em marketing focado para empresas do Comércio Exterior e Logística Internacional.

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