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[ 19 de junho de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

João Junior: Por Dentro do Desembaraço Aduaneiro

Eu precisava falar sobre o Desembaraço Aduaneiro, um setor que me acolheu quando eu nem sabia qual profissão seguir e, de repente, se passaram 10 anos. Quando você ouve falar sobre Comércio Exterior parece que é um lugar apenas para executivos. Porém, basta entrar para área e descobrir que não é bem assim.

O Comércio Exterior é fundamental em qualquer País e existem diversas áreas dentro dele. Você pode trabalhar com agenciamento de carga, setor de compras internacionais, setor de cotação de frete internacional, logística, desembaraço aduaneiro, Trading Company, entre outros.

Muitos desistem pelo meio do caminho pois não é fácil. Mas, para aqueles que continuam sua jornada no comex, ela se torna especial e vira paixão. Dito isto, agora vamos entender um pouco de como funciona por dentro do Desembaraço Aduaneiro.

ONDE FUI PARAR

Desembaraço Aduaneiro talvez seja o setor mais complicado dentro do Comércio Exterior. Nosso principal foco é facilitar o processo de Importação e Exportação, trazendo a cada cliente soluções específicas às suas necessidades.

É como se colocássemos de forma simplificada as tantas normas e exigências requeridas para o processos, talvez você não saiba, mas é no desembaraço aduaneiro que precisamos validar todas as informações para entrada ou saída da mercadoria no País.

O QUE FAZEMOS

Somos facilitadores de trâmites de circulação de mercadoria, atuamos junto a Receita Federal e seus Órgãos Anuentes. Sempre em cima das normas legais, precisamos emitir Licenças de Importação e Exportação, registrar Declaração de Importação (DI) ou Declaração Única de Exportação (DUE), precisamos analisar minuciosamente os diversos documentos exigidos pela fiscalização e focar em cada detalhe para não gerar qualquer tipo de multa ou atraso no processo. Para ter uma ideia, separei algumas etapas que verificamos:

  • Fatura Comercial
  • Conhecimento de Embarque
  • Descrição da Mercadoria
  • Incoterm
  • Classificação fiscal
  • Benefícios de regimes especiais ou de Icms
  • Cálculos dos tributos
  • Nota fiscal
  • Entre diversos outros.

Nosso objetivo é reduzir ao máximo o custo do cliente. Mas não paramos nisso, precisamos ir alem e dar ‘’N’’ explicações no dia-a-dia.

Por que a mercadoria não chegou no prazo?

Por que este valor alto de frete?

 Por que a mercadoria ainda não esta na minha fábrica se já enviei a Nota Fiscal?

Onde está o volume faltante no voo?

LIGADO E ANTENADO

Todavia, atuar no setor de Desembaraço Aduaneiro é ser colocado à prova o tempo todo, precisamos ter motivação porque é uma profissão que vai te tirar da zona de conforto diariamente. É preciso estar ligado e antenado para não deixar passar despercebida as atualizações que ocorrem diariamente.

Todo dia pode haver uma mudança de tributo, uma nova restrição para algum produto específico, um novo benefício que irá ajudar seu cliente. Temos que estar preparados, visto que, neste período de PANDEMIA as mudanças estão ocorrendo numa freqüência maior, ou seja, estar atualizado é um sinônimo de eficiência no desembaraço aduaneiro.

DIFERENCIAL

Entretanto, como em qualquer profissão, devemos criar um diferencial na área que atuamos e posso citar alguns exemplos

  • Escute e aprenda com os mais experientes, antes de achar que já está pronto para fazer sozinho
  • Anote tudo, uma hora ou outra precisará daquela informação
  • Não precisa ficar louco para decorar a legislação, porém é necessário que aprenda onde procurá-la.
  • Esteja disponível para novos aprendizados diariamente
  • Aprenda a mexer nos principais sistemas de desembaraço aduaneiro e importação, esse é um grande diferencial na nossa área.

ORGULHO

Ainda que seja uma profissão difícil, tenho um grande ORGULHO de fazer parte desta área, uma satisfação enorme em saber que estamos ajudando diversos setores da economia e claro que com isso vem aquele ar de ‘’dever cumprido’’, onde podemos ver o cliente satisfeito, aquele agradecimento por não deixar sua linha de produção parar, outro agradecimento pela agilidade no desembaraço daquela carga urgente, liberou aquele canal vermelho crítico e é exatamente isso que faz o desembaraço aduaneiro ser tão importante para o Comercio Exterior.


João Junior

Campineiro, casado com a Solange, pai da princesa Sophia, louco por Esporte, em especial o glorioso tricolor paulista e apaixonado por comex.

Especialista em desembaraço aduaneiro, atuando na área de prestação de serviço desde 2010, com foco em diversos segmentos como o automotivo, farmacêutico, hospitalar, metalmecânico, entre outros.

E se o assunto for tecnologia para comércio exterior, já tive experiência com diversos softwares.

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[ 16 de junho de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Andrea Tonon: Blank Sailing – O que é, quais os motivos de sua ocorrência e como amenizar seu impacto

Você, que atua no Comércio Exterior e depende do transporte internacional de carga, por via marítima, para dar andamento aos seus processos de exportação e importação de produtos, já ouviu alguma vez o termo “Blank Sailing”?  Talvez já tenha se deparado com este termo, mas caso não tenha, com certeza já se deparou alguma vez na vida com a situação de estar com uma carga no porto pronta para embarque, com todas as documentações finalizadas, todos os dead lines cumpridos, e no dia seguinte ao “previsto embarque” você recebe a informação de que a carga simplesmente não embarcou e que a nova data prevista para o embarque será para a próxima semana, para o próximo navio, por exemplo.

Neste momento, se você está trabalhando com prazos apertados, por algum motivo, ou porque não houve um bom planejamento em sua operação de importação ou exportação, NESTE EXATO MOMENTO, infelizmente, “A SUA CASA CAIU”, por que você não conseguirá atender os prazos negociados com o seu possível exportador ou cliente final, uma vez que todo o processo logístico será afetado.

Este tipo de situação pode ocorrer, e um dos principais fatores existentes, dentre outros, que fazem com que as cargas não embarquem na data prevista, que fiquem no chão para rolarem para um próximo embarque é o Blank Sailing.

Neste artigo falarei sobre o que é Blank Sailing, quais os motivos de sua ocorrência e como amenizar seu impacto no Comércio Exterior.

O que é Blank Sailing?

Blank Sailing, conhecido também como “omissão de portos”, “omissão de navio”, é o termo utilizado por armadores para anunciar que um navio não atracará em um determinado porto ou região, ou que o serviço que abrange toda a rota, todos os portos previstos na viagem do navio serão cancelados.

A “omissão” ocorre quando o armador decide não escalar o porto com o navio programado, ficando as cargas dos exportadores no pátio do terminal e deixando de entregar também as cargas dos importadores que dentro do navio se encontram.

Havendo o Blank Sailing, as cargas são roladas para um próximo embarque disponível, isso se houver espaço no navio, lembrando que tudo dependerá também da frequência do serviço da linha, que poderá ser semanal ou quinzenal, pois quando há omissão quer dizer que não haverá navio para embarque ou desembarque de cargas, alterando assim parcialmente ou totalmente uma rota pré-determinada, uma vez que os serviços oferecidos pelos armadores para navios de linhas regulares costumam seguir uma rota específica, uma sequência de escalas pré-definidas.

Por que ocorre Blank Sailing? Quais os motivos de sua ocorrência?

O Blank Sailing pode ocorrer por um conjunto de fatores, sejam por questões técnico-operacionais bem como por questões comerciais, e quando ocorrem a carga pode ser reprogramada para o próximo porto ou próximo navio.

1. Questões Técnico-Operacionais

Neste caso, o Blank Sailing ocorre por situações adversas e imprevisíveis, que impedem a atracação do navio, como por caso fortuito ou força maior, como condições climáticas, congestionamentos graves no porto específico ou atrasos que poderão ocorrer devido a greves, por exemplo, impedindo-o de cumprir sua rota originalmente programada, fazendo com que o navio fique impossibilitado de fazer sua escala/atracação em um determinado porto ou região, levando uma transportadora a pular um porto para manter o restante da navegação dentro do cronograma.

2.Questões Comerciais

Ocorre de maneira “consciente e planejada”, motivada por questões financeiras e estratégicas, quando a demanda por espaço no navio é baixa, assim os armadores efetuam o cancelamento da viagem de um navio programado, com o único intuito de acumular cargas para o navio seguinte, garantindo assim que os navios possam sair do porto completamente cheios e os valores dos fretes permanecendo elevados, pois reduzindo a capacidade de embarque de um navio as taxas de frete são automaticamente afetadas, conseguindo assim uma estabilidade ou até mesmo um aumento das taxas de frete posterior ao Blank Sailing.

Qual o período com maior incidência de rolagem de carga devido ao Blank Sailing?

Este tipo de ação é bem comum após os feriados do Ano Novo Chinês, em que as fábricas ficam fechadas por um período aproximado de até duas semanas, não havendo volume suficiente pós feriado para a saída do navio do porto.

O Blank Sailing também podem ocorrer em períodos de disparidade do dólar, diminuindo assim o volume de importações realizados pelos importadores, e como consequência o valor do frete tende a cair com a falta de demanda de cargas, e para isso não acontecer os embarques são momentaneamente cancelados até terem volume suficiente para ocupar o espaço do navio por completo, para que o mesmo possa embarcar para compensar seus custos.

Havendo o Blank Sailing haverá uma maior disputa por espaço e assim os navios sairão do porto de origem com uma quantidade bem maior de carga, e consequentemente havendo disputa de espaço os armadores conseguem aumentar igualmente os níveis de fretes marítimos, mesmo em época de baixa demanda.

Outro exemplo mais recente é o que veio ocorrendo durante pandemia do Coronavírus, devido as paralisações e isolamentos sociais acontecendo no mundo inteiro, e como estratégia utilizada pelas transportadoras marítimas para lidar com a queda na demanda de cargas, foram anunciando Blank Sailings, principalmente em Fevereiro e Março/2020.

Já que os Blank Sailings não deixarão de ocorrer, o que pode ser feito para amenizar seus impactos no Comércio Exterior?

O Blank Sailing traz prejuízos para importadores, exportadores e clientes finais, pois não havendo embarque e desembarque de cargas nos portos onde ocorreram as omissões, haverá atrasos em todo o processo logístico, e por consequência, atraso na entrega da carga no destino final, e se o importador ou exportador não estiverem trabalhando com alguma margem de dias para possíveis imprevistos em seu processo logístico, já que previstos acontecem com maior frequência do que se gostaria, a carga não chegará no cliente final no tempo certo e isso pode acarretar em até prejuízos financeiros, e infelizmente não há uma solução que se evite a ocorrência do Blank Sailing, uma vez que este tipo de ação é produzida pela própria dinâmica do mercado.

Então se não há uma solução definitiva para se evitar um Blank Sailing, o que se pode fazer para amenizar os impactos das omissões no comércio exterior para importadores, exportadores e clientes finais é:

– Atentar-se para os períodos que ocorrem feriados importantes como O Ano Novo Chinês, entre janeiro e fevereiro, e o Golden Week, que é a semana de feriados que ocorrem no Japão, no final de abril e início de maio. Evitar de programar embarques nestes períodos, procurar se planejar e se anteceder a estes períodos;

– Procurar realizar parcerias com empresas de logística internacional de confiança. Fechar um embarque com um bom agente de carga, experiente e que tenha um conhecimento amplo das rotas e portos que tendem ocorrer o Blank Sailing, e isso fará toda a diferença;

– Importadores e exportadores precisam criar com urgência uma cultura dentro de suas organizações voltada cada vez mais para o gerenciamento de riscos para melhoria na eficiência dos processos de importação e exportação, para assim poder identificar, analisar, avaliar, priorizar, tratar e monitorar eventos com potencial impacto negativo, como Blank Sailing.

– Em contrapartida, o que os armadores poderiam fazer com mais frequência é anunciar o Blank Sailing de forma mais antecipada possível, assim importadores e exportadores poderiam se planejar melhor com relação as suas cargas programadas para serem embarcadas, evitando prejuízos para toda a cadeia.

E, sem dúvida, precisa haver uma maior monitoramento neste tipo de situação, para que as omissões por parte dos armadores não venham a ocorrer de forma indiscriminada.

E você, caro leitor (a), alguma carga sua já foi rolada para um próximo embarque devido a um Blank Sailing? Como essa omissão afetou o seu negócio? Comente, compartilhe sua experiência com os demais leitores.


Andrea Tonon

Esposa, mãe e atuante no Comércio Exterior. Ama viajar, conhecer novos lugares, estar com a família e amigos. Formada em Secretariado Executivo, mas nunca exerceu a profissão de fato. Caiu de “paraquedas” no mundo do COMEX há 11 anos e se apaixonou pela área desde então.

Fez um intensivo de Comércio Exterior pela Aduaneiras e cursos de capacitação pelo Canal Aduaneiro e Banco do Brasil e vem atuando na área de importação e exportação de equipamentos, peças de reposição e acessórios. Hoje divide informações e conhecimentos que adquiriu ao logo dos anos com estudantes e colegas de profissão através de seu blog e perfis no LinkedIn e Instagram.

Blog: www.andreatonon.com
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/andrea-tonon
Instagram: @andreatonon_comex

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[ 9 de junho de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Thiago Furtado: Guia para emissão de notas fiscais de importação e exportação

A emissão de notas fiscais, com destaque no setor de comércio exterior, guarda diversas particularidades e acaba sendo motivo de grande preocupação para empresas que trabalham diariamente com importação e exportação. Principalmente, por erros de cálculos tributários que podem ser cometidos na emissão.

Além disso, é de senso comum que existem importações que levam até 08h para que sejam digitados todos os itens para sua completa emissão. Ambos os casos impactam diretamente no faturamento e na eficiência das empresas.

Apesar de existirem no mercado diversos softwares que facilitam e unificam a emissão das NFs, poucas são especialistas em comércio exterior, direcionando esforços manuais e utilização de planilhas diferentes.

Existem também, milhares de empresas que ainda atuam com a emissão manual da nota, sem auxílio da tecnologia, o que com certeza acaba aumentando as chances de falhas.

Para facilitar um pouco esse processo, preparamos esse passo-a-passo para auxiliar você e sua empresa na hora de emitir notas. Aqui você vai encontrar informações para a emissão das seguintes notas fiscais: NF de Exportação Direta, NF de Exportação Indireta, NF de Importação Indireta, NF de Importação por Conta e Ordem, NF de Vendas para Dentro do Estado, NF de Venda para Fora do Estado e NF Complementar.

NOTA FISCAL DE EXPORTAÇÃO DIRETA

Quando a mercadoria é vendida diretamente para o comprador fora do país, ou seja, sem intermediários, estamos lidando com uma exportação direta.

Nesse tipo de transação, há a não incidência de tributos. Entretanto, é de suma importância preencher a nota fiscal de exportação direta para que não ocorra problemas no momento de gerar a Declaração Única de Exportação (DU-e)

Para emitir a nota fiscal de exportação direta é necessário:

1)   Dados do destinatário da NF

Especificar os dados do destinatário que é o seu cliente no exterior. Como é uma empresa do exterior, você vai indicar o Nome da empresa e Endereço completo. No endereço, deve ser informado no campo Cidade o termo Exterior e no campo UF o termo EX.

2)   Informações gerais da Nota Fiscal

Definir a natureza da operação, geralmente é utilizado: Remessa com fim específico de exportação;

Deve mencionar o Local de embarque e UF onde a mercadoria será embarcada.

3)   Produtos da Nota Fiscal

Descrever o nome do produto, NCM, quantidade comercial e tributária, valor unitário comercial e tributário. A unidade de medida informada na quantidade tributária deve ser a unidade estatística da NCM;

CFOP: 7.101 (fabricação própria) ou 7.102 (revenda de mercadorias);

Os impostos do IPI, PIS, COFINS e ICMS não são tributáveis.

4)   Total da Nota Fiscal

Lançar os totais dos produtos e da Nota Fiscal.

5)   Mensagem de Informações Adicionais

Caso necessário, digitar o número da NF de entrada, nome do fornecedor com CNPJ e dados da invoice.

NOTA FISCAL DE EXPORTAÇÃO INDIRETA

A nota fiscal de exportação indireta diz respeito a empresa interessada em exportar seus produtos, e as comerciais exportadoras/trading companies que são as responsáveis por gerenciar todo o caminho da mercadoria, desde a saída até o exterior.

Ou seja, quando os produtos que são enviados de uma empresa para um estabelecimento que será responsável pelo processo de exportação, é necessário emitir nota de exportação indireta para que seja possível a circulação dos produtos.

Lembrando que não há impostos na saída da mercadoria para fora do país, assim como na exportação direta para o exterior. Desta forma, as comerciais exportadoras e as tranding companies têm os mesmos benefícios que são destinados a exportação.

Para emitir a nota é necessário:

1)   Dados do destinatário da NF

Especificar os dados do destinatário que é o seu cliente no exterior. Como é uma empresa do exterior, você vai indicar o Nome da empresa e Endereço completo. No endereço, deve ser informado no campo Cidade o termo Exterior e no campo UF o termo EX.

 2)   Informações gerais da Nota Fiscal

Definir a natureza da operação, geralmente é utilizado: Remessa com Fim Específico de Exportação;

Deve mencionar o Local de embarque e UF onde a mercadoria será embarcada.

3)   Produtos da Nota Fiscal

Descrever o nome do produto, NCM, quantidade comercial e tributária, valor unitário comercial e tributário. A unidade de medida informada na quantidade tributária deve ser a unidade estatística da NCM;

CFOP: 7.501 (Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação);

Informar a chave de acesso da Nota Fiscal de entrada da mercadoria recebida para exportação, o número do Registro de Exportação e a quantidade comercial exportada;

Os impostos do IPI, PIS, COFINS e ICMS não são tributáveis.

4)   Total da Nota Fiscal

Lançar os totais dos produtos e da Nota Fiscal.

5)   Mensagem de Informações Adicionais

Caso necessário, digitar o número da NF de entrada, nome do fornecedor com CNPJ e dados da invoice.

Com a DU-e, a exportadora não possui mais o número do Registro de Exportação, onde pode ser informado”.

NOTA FISCAL DE IMPORTAÇÃO DIRETA

A nota fiscal de importação direta deve ser feita pela empresa importadora quando o produto for nacionalizado. Ela é requerida quando estamos lidando com produtos importados diretamente do exterior, levando em consideração o trajeto desde a repartição aduaneira até o estabelecimento que importou.

Lembrando que estamos tratando de empresas importadoras que se comportam como consumidores finais e que, apenas no futuro, vendem o produto, modificado ou não, em território nacional.

Optar pela importação direta é interessante para aqueles que não querem depender de intermediários para realizarem seus processos de importação. Além disso, este modelo é uma excelente alternativa quando já se domina muito bem a rede de fornecedores, conhecimento sobre o país do qual está importando, a relação dele com o Brasil, quando se tem em mente todas as etapas envolvidas no processo e um sistema de apoio.

Para emitir a nota é necessário:

1)   Dados do Remetente da Nota Fiscal

Você deve inserir os dados do Exportador que constam na DI. Como é uma pessoa do exterior, você vai informar o endereço, no campo de Município deve ser informado “EXTERIOR” e no campo U.F. deve ser informado “EX”.

2)   Informações gerais da Nota Fiscal

No campo de Natureza de Operação deve ser especificado que é uma operação “Importação”.

3)   Produtos da Nota Fiscal

Formação do preço de nacionalização:

– Localize o valor unitário do produto dentro da Adição da Declaração de Importação, multiplique este valor pela quantidade, após isto multiplique pela taxa de câmbio da moeda de compra que foi utilizada no registro da DI;

– Caso a Declaração de Importação (DI) possua valor de THC, Frete, Seguro, Antidumping ou outras despesas que são somadas junto ao valor do produto, você deve efetuar o rateio de cada despesa e somar no valor da mercadoria, chegando no valor aduaneiro;

– Utilize um CFOP que inicie com 3, exemplo o 3.102 para uma operação de compra para comercialização;

– Para cada produto deve ser informado o número e data de registro da Declaração de Importação, dados sobre o desembaraço, via de transporte, adição no qual o produto está associado entre outras informações relacionadas a importação da mercadoria;

– Deve-se usar as alíquotas dos impostos que estão na Adição da Declaração de Importação no qual o produto foi associado.

4)   Total da Nota Fiscal

Os totais da Nota Fiscal são o resultado dos valores de impostos calculado em cada produto.

No campo de Outras Despesas acessórias, deve ser somado o valor da Taxa do Siscomex e algumas empresas somam também o AFRMM, Valor total do PIS e Valor total do COFINS.

No campo de Total da NF são considerados os valores: Produto + II + IPI + ICMS + ICMS ST + Outras despesas (Siscomex, AFRMM, PIS e COFINS).

5)   Mensagem de Informações Adicionais

Por fim, é imprescindível que o importador inclua no campo de dados adicionais da Nota Fiscal de Importação Direta, o número da Declaração de Importação (D.I), sem erros, para que não haja a necessidade da emissão de uma nova NF ou Carta de Correção Eletrônica.

Caso a sua empresa some o valor do AFRMM, PIS e COFINS no campo de Outras Despesas Acessórias, é recomendado você detalhar também estes valores.

NOTA FISCAL DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM

A Importação por Conta e Ordem é adotada por estabelecimentos que visam terceirizar seu processo. E como isso funciona?

Por meio de um contrato, uma empresa (nomeada de “adquirente” pela receita federal) que está interessada em certa mercadoria, contrata uma prestadora de serviço (que é chamada de importadora por conta e ordem) para realizar a importação.

A empresa importadora, além de resolver as questões burocráticas que o processo de importação exige, pode buscar fornecedores, cotar preços e intermediar acordos entre todos os personagens envolvidos na importação.

Para que essa parceria aconteça, as duas empresas devem seguir uma série de requisitos e obrigações da Receita Federal como:

– No momento de elaborar a Declaração de Importação (DI), o importador por conta e ordem deve indicar o número de inscrição da empresa adquirente no CNPJ;

– O conhecimento de carga correspondente deve estar consignado ao importador contratado, para que ele consiga fazer o despacho aduaneiro e retirar as mercadorias;

– A fatura comercial precisa identificar o adquirente da mercadoria.

Além disso, há outras obrigações envolvendo notas fiscais que são de responsabilidade da importadora por conta e ordem. Estes encargos são:

– Sobre Nota Fiscal de entrada das mercadorias: Deverá ser emitida na data em que se completar o despacho aduaneiro e informar junto aos produtos os dados da Declaração de Importação e do Adquirente;

– Para Nota Fiscal de Saída: Deve ser emitida na data de saída das mercadorias do seu estabelecimento, tendo como destinatário o adquirente, ou seja, a empresa que o contratou para realizar a operação. Nela deve constar o valor das mercadorias já somado ao valor dos tributos, despesas logísticas e operacionais incidentes na importação, além do destaque do ICMS;

– E por fim, Nota Fiscal de Serviços: Também deve ser emitida na data de saída das mercadorias do seu estabelecimento e tendo o adquirente como destinatário. Nela deve constar o valor dos serviços prestados ao adquirente, informando o número das NFs de saída das mercadorias cujo serviços foram prestados.

Lembrando que a importadora deve deixar claro em seus registros fiscais e contábeis que os produtos são domínio de terceiros.

NOTA FISCAL DE VENDAS PARA DENTRO DO ESTADO

A nota fiscal de venda para dentro do Estado é um documento que, além de ser uma obrigação tributária, garante a relação comercial entre empresa e cliente quando ambos estão no mesmo Estado.

Temos que recordar que existem duas diferentes notas fiscais de venda: NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) que é designada para a venda e produtos, e a NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) que é necessária para a comercialização de serviços.

Para emitir a nota é necessário:

1)   Dados do destinatário da NF

Especificar os dados do destinatário que é o seu cliente na operação de venda. Definir se é uma pessoa física (CPF) ou jurídica (CNPJ), colocar o Nome ou Razão social e endereço completo. Caso for uma pessoa jurídica, definir a situação fiscal dele, se é ou não contribuinte de ICMS ou se é isento.

2)   Informações gerais da Nota Fiscal

– Definir a presença do comprador;

– Definir a natureza da operação, geralmente é utilizado: Venda de mercadoria;

– Escolher a Modalidade do frete e caso necessário, especificar a Transportadora e os valores de frete e seguro, volumes que serão transportados com peso bruto e líquido além do endereço de entrega;

– Definir a forma de pagamento da venda com o meio de recebimento alinhado com o cliente. Inserir as duplicatas de cobrança conforme a forma de pagamento definida.

3)   Produtos na Nota Fiscal

Descrever o nome do produto, NCM, quantidade comercial e tributária, valor unitário comercial e tributário, especificar o CFOP, colocar os impostos recolhidos (IPI, PIS, COFINS, ICMS, ICMS ST, FCP e FCP ST) e para cada imposto deve ser definido o Código de Situação Tributária (CST), este código define as regras de preenchimento das informações obrigatórias. Caso o produto possua ICMS ST, deve ser informado o CEST (Código Especificador da Substituição Tributária).

4)   Total da Nota Fiscal

Nos Totais da nota fiscal de venda, especificar valores aproximados dos tributos caso o destinatário for consumidor final e revisar os valores totais da Nota Fiscal de Venda.

5)   Mensagem de Informações Adicionais

Caso necessário, digitar no campo de Informações adicionais o número do pedido de venda e endereço de entrega da mercadoria.

É importante se atentar para a escolha do CFOP (Código Fiscal de Operação e Prestação) de acordo com o tipo de venda realizada. Nas operações de vendas dentro do Estado devem ser utilizados códigos que iniciam com o número 5, por exemplo:

5102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (para clientes sem substituição tributária;

5403 – Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, sujeita ao regime de substituição tributária (quando sua empresa paga o imposto);

5405 – Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, sujeita ao regime de substituição tributária (o pagamento do imposto é de responsabilidade de quem adquiriu a mercadoria);

5110 – Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio;

5551 – Venda de bem do ativo imobilizado;

5114 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida anteriormente em consignação mercantil;

5115 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, recebida anteriormente em consignação mercantil;

5117 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, originada de encomenda para entrega futura;

5119 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem;

5120 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário pelo vendedor remetente, em venda à ordem;

5922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura;

5104 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, efetuada fora do estabelecimento;

5123 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente.

NOTA FISCAL DE VENDA PARA FORA DO ESTADO

Para concretizar uma relação comercial (compra e venda) entre empresa e seu cliente, seja ele consumidor final ou outra companhia que esteja situada em um Estado diferente da sede da corporação, é necessário a nota fiscal de venda para fora do Estado.

Nesse documento deve conter informações relativas aos produtos que estão sendo comercializados (quantidade, peso líquido e peso bruto), impostos recolhidos na venda, códigos específicos, como a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Código Especificador da Substituição Tributária (CEST) e CFOP.

Para emitir a nota é necessário:

1)     Dados do destinatário da NF

Especificar os dados do destinatário que é o seu cliente na operação de venda. Definir é uma pessoa física (CPF) ou jurídica (CNPJ), colocar o Nome ou Razão social e endereço completo. Caso for uma pessoa jurídica, definir a situação fiscal dele, se é ou não contribuinte de ICMS ou se é isento.

2)     Informações gerais da Nota Fiscal

Definir a presença do comprador;

Definir a natureza da operação, geralmente é utilizado: Venda de mercadoria. Este campo também é utilizado para descrever outras operações como Remessa, Consignação e etc;

Escolher a Modalidade do frete e caso necessário, especificar a Transportadora e os valores de frete e seguro, volumes que serão transportados com peso bruto e líquido além do endereço de entrega;

Definir a Forma de pagamento da venda com o meio de recebimento alinhado com o cliente. Inserir as duplicatas de cobrança conforme a forma de pagamento definida.

3)     Produtos da Nota Fiscal

Descrever o nome do produto, NCM, quantidade comercial e tributária, valor unitário comercial e tributário, código GTIN;

Especificar o CFOP;

Especificar os impostos recolhidos (IPI, PIS, COFINS, ICMS, ICMS ST, FCP e FCP ST);

Para cada imposto deve ser definido o Código de Situação Tributária (CST), este código define as regras de preenchimento das informações obrigatórias;

Caso o produto possua ICMS ST, deve ser informado o CEST (Código Especificador da Substituição Tributária);

Caso for uma venda para uma pessoa física, deve ser preenchido os dados do Diferencial de Alíquota – DIFAL.

4)     Total da Nota Fiscal

Especificar valores aproximados dos tributos caso o destinatário for consumir final e revisar os valores totais da Nota Fiscal de Venda.

5)     Mensagem de Informações Adicionais

Caso necessário, digitar no campo de Informações adicionais o número do pedido de venda e endereço de entrega da mercadoria.

E qual o CFOP para vendas para fora do Estado?

Nas operações de venda dentro do Estado deve ser utilizado códigos que iniciam com o número 6, abaixo alguns CFOPs:

6102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (para clientes sem substituição tributária);

6104 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, efetuada fora do estabelecimento;

6108 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada a não contribuinte;

6110 – Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio;

6114 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida anteriormente em consignação mercantil;

6115 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, recebida anteriormente em consignação mercantil;

6117 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, originada de encomenda para entrega futura;

6119 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem;

6120 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário pelo vendedor remetente, em venda à ordem;

6123 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente;

6403 – Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, sujeita ao regime de substituição tributária (quando sua empresa paga o imposto referente a venda para outro Estado);

6404 – Venda de mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, cujo imposto já tenha sido retido anteriormente;

6551 – Venda de bem do ativo imobilizado;

6922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura.

Outro ponto importante para se atentar é as mudanças do ICMS que se validaram em janeiro de 2016. Seguem abaixo as especificações do ICMS, conforme a Emenda:

Através da Emenda Constitucional 87/2015 foi instituído, com vigência a partir de 2016, o “Diferencial de Alíquotas do ICMS a Consumidor Final não Contribuinte”. Nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final, contribuinte ou não do imposto, localizado em outro Estado, adotar-se-á a alíquota interestadual e caberá ao Estado de localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual. A responsabilidade pelo recolhimento do imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual será atribuída:

  1. A)Ao destinatário, quando este for contribuinte do imposto;
  2. B)Ao remetente, quando o destinatário não for contribuinte do imposto. O imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual será partilhado entre os Estados de origem e de destino, na seguinte proporção: Para o ano de 2018: 80% (oitenta por cento) para o Estado de destino e 20% (vinte por cento) para o Estado de origem; A partir do ano de 2019: 100% (cem por cento) para o Estado de destino.

NOTA FISCAL COMPLEMENTAR

A nota fiscal complementar é necessária quando é preciso adicionar valores não informados na nota fiscal original ou quando há algum erro.

As situações são as seguintes: diferença de preço em prestação ou operação, erro no número de mercadoria, lançamentos de impostos de forma equivocada, quando não há lançamento de impostos e caso haja mudanças no câmbio que modifiquem o preço da operação.

Caso precise dessa nota fiscal, você deverá preencher com atenção para evitar mais transtornos. Fique atento a nossas dicas.

1)   Dados do destinatário da NF

Nos dados do destinatário/remetente indicar os menos dados da Nota Fiscal de origem;

2)   Informações gerais da Nota Fiscal

Na identificação da Nota Fiscal Eletrônica colocar a finalidade de emissão: NF-e Complementar;

Deve ser inserido na área de Documentos Referenciados a chave de acesso da Nota Fiscal que você está complementando.

3)   Produtos da Nota Fiscal

Nos campos de Código de Produto e Descrição do Produto utilizar as mesmas dados da Nota Fiscal de origem;

Em Quantidade de Produto: preencher com 0 (zero) ou quantidade a ser ajustada – Por exemplo, se o correto no total são 10 produtos, mas na Nota Fiscal Original você apontou somente 6, agora deve indicar 4;

Em Valor Total dos Produtos: informar 0 (zero) quando não houver necessidade de complemento do campo, assim também como nos campos demais.

4)   Total da Nota Fiscal

Deve ser somado o valor dos campos que foram complementados e pode ser preenchido com 0 (zero) os campos que não foram alterados dentro dos produtos.

5)  Mensagem de Informações Adicionais

Em informações complementares: Preencha conforme o regulamento, mas é muito importante sempre colocar o número e data da Nota Fiscal Original, indicando que a que você está emitindo agora a complementar.

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[ 2 de junho de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Thiago Pagano: As atualizações e reinvenções no comércio exterior

Um fato importante nesta área de atuação que escolhemos trabalhar e tirar nosso pão de cada dia: Todo dia é diferente!
 
Toda vivência e cada experiência nos faz mais “cascudos” e mais vividos, não acha? Quando saí da faculdade, vi que tinha toda a parte teórica na cabeça, as famosas apostilas quase que decoradas e os livros embaixo do braço mas, além de um diploma, tinha um novo passo a traçar, o de “quebrar a casca do ovo” e lutar pela minha vida profissional junto aos demais colegas recém-saídos da faculdade. 
 
E para essa luta, eu sabia que precisava ter um diferencial comigo. Mas qual seria?
 

Algumas entrevistas feitas e logo conquistei o meu primeiro emprego em um despachante aduaneiro, onde aprendi quase tudo que precisava para a função. Mas, mesmo assim, achava que tudo aquilo que tinha aprendido na faculdade era pouco, estava na hora de inovar, de investir mais em mim. Então, resolvi iniciar a minha primeira pós-graduação no comércio exterior. Lá se vai mais dois anos de estudos.

Entre experiências profissionais, cursos profissionalizantes e vivência em diversas áreas do comex eu percebia que precisava estudar tudo de novo quando vinham novas noticias ou atualizações. E lhes confesso que isso eu sempre estava disposto a fazer.

A disposição para não parar de me atualizar vinha ainda daquela frase que disse quando sai da faculdade: Eu preciso me diferenciar!

Afinal, me deparei durante minha carreira com profissionais que em algum momento da vida pararam no tempo, com suas manias e seus erros comuns, como por exemplo, não se adaptar aos Incoterms ou entender a diferença entre fechar um cambio em 2008 comparado ao processo facilitado de 2020. 

É neste momento em que devemos parar e ver que tem gerações mais voltadas a informações que as nossas e que devemos estrategicamente estar 3 passos deles, para não sermos engolidos., quase que literalmente. Estamos em uma era digital onde tudo depende apenas de um clique para as coisas acontecerem, onde dependemos de um aplicativo de celular para falarmos com o mundo e tantas outras coisas que quem não estiver pronto a isto, facilmente será afogado, ou como os surfistas falam, “tomará caldo”.

Colocando a vida profissional sempre em uma balança, é necessário ver que temos que nos atualizar, fazendo cursos e investindo constantemente em nossas vidas. Devemos sempre estar prontos para o novo mundo e o que ele propõe.

E o que mudou desde que comecei?

Voltando um pouco na história do começo da minha vida profissional, neste primeiro emprego em despachante aduaneiro, quase 20 anos atrás, vivíamos em uma época em que até aparelhos eletrônicos que não existem mais, eram utilizados. Neste despachante, por exemplo, eram utilizados dois faxes: um para recebimento de invoices e demais documentações de cliente e outro para envio de outros documentos a nossos contatos em zonas primárias ou secundárias. Hoje em dia, acho que o último fax que vi foi em alguma loja de antiguidades e, logo veio à ideia em minha cabeça: “estou velho mesmo”.

Eu era responsável por tirar o radar dos clientes e, cada processo era feito com muitos documentos, montados em pastas e levados pessoalmente a Secretaria da Receita Federal, na estação da Luz, aqui em São Paulo. Após o Radar ser aprovado, o responsável legal pela empresa precisava se deslocar até lá para assinar e ter a sua habilitação. Além disso, os nomes e especificações eram outros (radar simplificado e ordinário). Hoje em dia, tudo é tirado via internet e ainda bem, não é necessário ir mais a SRF.

E as leis então, ou os documentos, que ao longo do tempo foram atualizados, tornaram a vida de um profissional melhor. Neste tempo vi os fechamentos de câmbio evoluir para o digital, onde não era mais necessário falar com mesas de câmbio em bancos e etc. Sistemas como o SISCOSERV foram criados, vinculando todos os serviços relacionados a carga e gastos fora do país serem vinculados a empresa. Até mesmo o caótico SISCOMEX (Mantra), que era uma simples tela verde evoluiu, fazendo com que todos tenham acesso via internet, apenas sendo acessada por outra maravilha, a assinatura digital (e-cpf e e-cnpj).

Enfim, é muito tempo de vida nesta área para enumerar as grandes mudanças que vi acontecer e ainda virão nos tempos futuros.

Quais os nossos diferenciais quanto as novas gerações?

Além de experiência de tempo mais complicada para comércio exterior, onde tudo era mais primitivo, temos uma grande diferença quanto às novas gerações, somos mais prontos a buscarmos informações, e além de tudo, não nos apavorarmos com notícias ruins ou mesmo os fake news da vida. Os “nãos” que a vida nos dá podem até nos derrubar, porém não ficamos eternamente caídos, nos levantamos e vamos em frente.  O que difere da atual geração de profissionais é que os “nãos” da vida os desmotivam, os quebram e até os fazem desistir de uma jornada que não é simples, mas nos trazem conhecimento de causa e muita experiência.

Outra questão é que lembrando este passado não tão distante, conseguimos ver que o futuro próximo será melhor.

E o que virá no futuro?

Divagando um pouco sobre isto e pensando nos próximos avanços, vejo como futuro, além de fechamentos de câmbio via aplicativo (o que era impossível pensar anos atrás), por exemplo:

A emissão simplificada de documentos ou mesmo certificações, como ANVISA e MAPA, além de permitir que quem precisa classificar uma carga terá isto previamente quando simplesmente colocar as informações da invoice, que virão por QR-CODE em seus sistemas. 

Acreditem, existem “N” maneiras de o mundo evoluir. Outros exemplos que imagino é que podemos ter grandes trocas em listas de Incoterms, métodos de negociações como Carta de crédito ou transferências bancárias entre bancos mais ágeis e simplificadas. 

Outro fato importante a dizer é que as leis do direito internacional também devem ser atualizadas, já que com este mundo cheio de mudanças.

Vivemos em uma época onde o “diz que me diz” não existe e que a informação está em nossas mãos. Basta interpretarmos da forma correta.

Penso também que além de trabalharmos nesta área tão abrangente, podemos ensinar a nova geração como pensar em simplificar, a serem mais “cascudos” e menos imediatistas, abrindo a cabeça deles a assumirem o DNA que foi passado a nós. 

Para finalizar, outro ponto interessante é que os escritórios abarrotados serão substituídos por home-offices, fazendo reuniões, quase que nunca presenciais.

E a conclusão disto tudo?

Analisando toda a minha experiência e vivência na área, vejo que é necessário estar disposto a aprender sempre, a entender todas as áreas do comércio exterior, a ler mais notícias do Brasil e do mundo e, além disso, ficar de olho no novo e nas tendências futuras. A época em que vivi não voltará mais e, possivelmente, como a teoria de Darwin mostrava, a evolução deve ser contínua, para que possa ter vida.

Cursos existem aos montes por aí e cada vez mais a distância, novas tecnologias e sistemas são inventados todos os dias. Não basta termos conhecimento do Siscomex em tela verde ou mesmo dizer que sabemos mexer no sistema XPTO, precisamos saber que quanto mais nos atualizarmos, menos teremos riscos de ser esquecidos pelo mercado de trabalho. E em relação a língua, bem, falar inglês é mais do que obrigação hoje em dia, onde antigamente era um diferencial que já te colocava como gestor da área.

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Thiago Pagano:
Apaixonado e entusiasta de comércio exterior e atuante há mais de 15 anos na área, Thiago é especialista na área de comércio exterior, principalmente em importação e exportação (área de comércio exterior) dentro de empresas, além de ter criado o canal no Youtube, o ComexFacil, que visa mostrar que importar e exportar não é tão difícil e, hoje em dia vive como consultor de comércio exterior para empresas, especializado em pequenas empresas.

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[ 26 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Sandra Bassi: Se preparando para o futuro no comércio exterior 

O profissional de comércio exterior não vai acabar, mas ele vai se transformar.  Se analisarmos o contexto do processo de desburocratização aduaneira brasileira e a força que a OMA (Organização Mundial das Aduanas) vem ganhando para padronizar práticas de políticas aduaneiras dos seus países membros, bem como o trabalho mundial que a OEA (Operador Econômico Autorizado) vem crescendo para a padronização, minimização e gerenciamento de risco dos operação aduaneira, podemos começar a se preparar para um futuro no comércio exterior diferente.   

Convido vocês a explorarem alguns tópicos abaixo, tanto qualidades comportamentais como técnicas para estarmos preparados para um ‘novo tempo’: 

– Trabalho remoto – organizaçãodisciplina e empatia 

A Europa e os Estados Unidos já trabalham, em muitas funções de comércio exterior, de forma remota.  No Brasil, esse estilo de trabalho tinha uma conotação de ‘procrastinação’ até março de 2020 quando fomos alvos também da pandemia.  O conceito então tomou forma forçada para todos ficarem remotos. 

Essa tendência veio para ficar e a atenção do profissional em administrar seu tempo, ter disciplina e colaboração é o sucesso para você no seu dia a dia.  Organize-se para ter um espaço reservado, uma mesa e uma cadeira com apoio e ergonomia correta.  Administre seu tempo como se estivesse no escritório, como se você acendesse a luz do escritório e apagasse quando sai.  Imagine-se acendendo e apagando a sala do ‘seu escritório remoto’.   

Disciplina é ritmo constante.  Autogerenciar-se em manter a cadência de trabalho e não desanimar nem procrastinar para entregar o seu resultado.  Discipline-se para ‘chegar’ no escritório no horário, levantar de hora em hora para se alongar e acima de tudo, para ‘sair’ do escritório.  Muitas pessoas estão trabalhando mais que a jornada quando estávamos em escritório, inclusive esta última serve pra mim também… 

Saber como otimizar o tempo é uma questão de atitude e organização, lembre-se de criar regras fáceis de seguir, evite tomar decisões desnecessárias ou se ocupar com tarefas que não são suas. Organize-se para horário de ligações, reuniões, relatórios e horário para concentração e produção.  Mantenha o ritmo.  Cumpra o horário de almoço e descanso e deixe para ‘resolver’ seus assuntos pessoais nas horas de intervalo, não misture os assuntos, assim você conseguirá melhor produtividade. 

Colaboração e disposição são duas palavras chave também para sua organização diária.  Divida suas tarefas em importantes, urgentes e não essenciais.  Faça um ‘kanban’ virtual ou físico mesmo para ajudar a se administrar e gerenciar o tempo.  Conclua as tarefas com um ‘check, a sensação de ‘dever cumprido’ é muito boa.   

Lembre-se: você só deixará de procrastinar se você se organizar e se auto motivar. 

Flexibilização e resiliência 

Atitudes de se adequar a novas situações, ter sempre um plano de contingencia e ter a capacidade de se ‘moldar’ a novas frentes e a novos rumos vai ser cada vez mais exigido de nós.  Flexibilização tanto na questão técnica como comportamental, pois devemos entender cada vez mais da área fiscal e contábil das organizações que prestamos serviços.  Além de entender, muitas vezes é exigido uma resposta que demanda visão macro do processo todo da corporação.  

Por exemplo, uma decisão de adiantar ou não despesas para o despachante, deve tomar como peso e medida tanto a questão de compliance para adiantar montantes para terceiros como também entender da parte contábil que essa compensação terá no fim do seu processo de importação, no custo total.  A flexibilização de saber que seu funcionário ou mesmo seu colega de trabalho hoje está passando por uma situação pessoal e entender que sua produtividade não será igual dos demais dias. 

Essa compreensão e colaboração com os demais da sua rede de trabalho vai fazer parte do dia-a-dia e é preciso adaptar-se a essa ‘nova frente administrativa’.  Reuniões formais e informais com a equipe podem ser uma ótima estratégia para o gestor ‘medir a temperatura’ emocional da sua equipe. 

Manter todos da sua rede de trabalho conectados e bem-informados também ajuda a manter eficiência.  Você pode ter a proatividade de criar chat´s de discussões de um assunto genérico, e diariamente alimentar questões e provocações de melhorias de processo, engajando e conectando sua equipe.   

 Interação com Tecnologia da Informação 

Já não é de hoje que nós precisamos entender de informática.  Isso vai se acentuar e muito a partir de agora.  Organizações vão usar e abusar de softwares e inovações para garantir a sua operação.  Entender de ERP (Enterprise Resource Planning), sistemas de informação que integram os processos de informações de uma organização como compras, vendas, fiscal, contábil, câmbio, contas a pagar e a receber, BI (business intelligence) ou ainda transformação digital  vai ser cada vez mais exigido para continuar no mercado de trabalho de comércio exterior.   

O mercado espera do profissional de comércio exterior uma grande capacidade de analisar, interpretar e apresentar dados e também soluções. Um software pode trazer muitas informações sobre os mais diferentes aspectos do comex, mas também de nada adianta se por trás desse software não existir uma pessoa qualificada que o interpreta e consegue mapear, entender e transmitir essas informações. 

O papel de um Consultor 

OEA veio para ficar e essa padronização mundial de todos da cadeia de comércio exterior vai cada vez mais aumentar.  Esteja preparado para mapear, conduzir projeto e administrar riscos da operação de comércio exterior, ter um papel mais consultivo de toda a sua operação de importação, exportação ou câmbio. 

Não vai ter mais espaço o profissional ‘que é especialista’ numa determinada atividade, agora será multidisciplinar para ‘todas as funções e atividades’, além de capacidades técnicas também será exigido cada vez mais capacidades gerenciais, comercial, negociadoras, consultivas e de mediador dos conflitos.  Para isso ter um controle emocional e raciocínio lógico é muito importante.   

O papel consultivo também será muito mais importante no aspecto de ‘regimes especiais’.  O profissional deverá estar preparado para se adequar, apresentar a melhor prática de operação e decidir se uma determinada organização vai aderir e em qual momento aderir a um drawback, entreposto aduaneiro, deposito especial, e, principalmente, RECOF. 

Vai crescer bastante a demanda por profissionais que entendam de uma operação RECOF que tem como objetivo fazer com que a empresa importe ou adquira no mercado os insumos para o seu então processo produtivo, industrialize os seus produtos finais e exporte nestas situações sem pagar tributos.  Mas não vai bastar você conhecer, vai ter que saber fazer, administrar e gerenciar. 

 

Múltipla legislação 

Você poderá estar trabalhando no Brasil para uma organização americana, fazendo processos de operação de importação e exportação na Argentina.  Sim, não bastará mais você ser exímio conhecedor da legislação brasileira, terá que entender da argentina, por exemplo, pois você estará fazendo desembaraço aduaneiro para uma importação que tem como entrada um local na Argentina. 

Também terá que entender da legislação mexicana, pois o seu departamento de contas a pagar poderá não ficar mais no Brasil, poderá estar no México e terá que interagir com os colegas e precisará tomar decisões de qual é o horário de trabalho mais adequado com todos esses fusos horários e legislações aduaneiras, administrativas e trabalhistas, além do Brasil.  Essa já é uma prática em muitas organizações transnacionais e com o trabalho remoto essa ação vai se intensificar. 

E esteja preparado para se comunicar com todos esses protagonistas, no idioma que se escolher como oficial, de maneira muito clara e objetiva, senão ninguém vai te entender com culturas tão diferentes.   

nossa mente já está se modificando.  O pensamento deverá estar voltado para pessoas e para resultados, cada vez mais.  Mas, acima de tudo, teremos que ter domínio de nossas emoções e ter um autoconhecimento e um autorreconhecimento de nossas habilidades técnicas e não-técnicas. 

Tem um livro muito antigo chamado mágica de pensar grande’ de David J. Schwart, e tem um trecho que descreve sobre como a mente humana pode ser capaz de atrair e ser hábil em aprender, pois TUDO É TREINÁVEL.  Eu acredito muito nisso, somos capazes de aprender sobre tudo que atraímos e queremos para esse novo tempo. 

________________________________________

Sandra Bassi

Apaixonada por comércio exterior e atuante na área há 25 anos, Sandra é especialista em regimes especiais e em projetos de comércio exterior de tecnologia e inovação, criadora do canal #bomdiacomex no YouTube e hoje é coordenadora de treinamento na empresa eCOMEX.  

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[ 22 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Thiago Furtado: A Cultura vencedora dos membros do elenco

Quando um dia veremos uma empresa priorizar a cortesia ao invés da eficiência? E se eu lhe disser que, além da cortesia, o espetáculo do seu time, ou seja, o trabalho em equipe de todas as áreas, sinergicamente rodando para que tudo seja visto como um grande show, também deva ser priorizado antes da eficiência?

Se um CEO lhe apresenta uma proposta, uma onda de valores que devem ser respeitados em ordem prioritária, onde CORTESIA e ESPETÁCULO vem antes de EFICIÊNCIA, qual seria sua reação? Acharia loucura? Utópico? Irreal?

Pois bem, uma das empresas mais valiosas do mundo faz isso: A Disney.

Sempre fui fã do atendimento da Disney e de seus valores e cultura. Pude conhecer detalhadamente após acompanhar diversas palestras e treinamentos da Excellere, liderada pelo seu CEO Gabriel Costa.

Na Disney os padrões de qualidade nos serviços servem como ferramentas de medição para a tomada de decisões. São eles:

  1. Segurança:focam no bem-estar dos clientes e membros do elenco.
  2. Cortesia:entregam para o cliente (Interno e Externo) o que ele gostaria de receber.
  3. Espetáculo:criam uma experiência sem igual para cada convidado.
  4. Eficiência:garantem o bom funcionamento das operações através da combinação de instalações, sistemas e membros do elenco.

Obviamente que a primeira coisa que me veio na cabeça foi: Eficiência como último valor nas tomadas de decisão do dia a dia?

A resposta é simples: Claro. Segurança, cortesia e espetáculo juntos, nada mais é, do que eficiência.

Mas é fácil de entender o porque do questionamento. A cortesia é um ganho de médio/longo prazo, que muitas vezes é confundido com eficiência ou com qualquer outra ação que foi adicionada ao processo cortês de atendimento. Por isso a eficiência (na maioria das empresas) é priorizada, pois é um KPI mensurável e fácil de apresentar aos seus C-Levels, conselheiros, sócios e líderes. A Cortesia por sua vez, é um ganho intrínseco, não palpável, é aquele ganho que você realmente conquista o cliente. Ele se sente bem, tem chance de voltar, indicar e falar bem da sua empresa.

E como adaptar este modelo de sucesso em uma empresa voltada a Tecnologia, 100% SaaS, 100% digital, com modelo forte de scale-up, totalmente voltada a eficiência e encantamento do cliente?

A primeira grande etapa foi a transformação cultural na empresa, lideradas pelos valores de inovação e accountability, dissipados e utilizados diariamente em todas as áreas, níveis, projetos e ações.

E quando vimos que já estava em nosso DNA empreendedor todos estes valores, foi fácil não se contentar com o que já foi feito e assumir responsabilidades.

E ter as pessoas certas e um time dos sonhos, fez toda a diferença para que os resultados fossem alcançados!

Nunca, como antes, um processo foi tão dependente do comportamento e cultura das pessoas que nele estavam envolvidos.

Resultado de todo esse processo?

Sinergia em constante crescimento no cliente interno (Afinal, cortesia se começa dentro de casa) e os mais altos índices de NPS no cliente externo.

Para finalizar, dois leves quotes do Walt, mostrando que muitas vezes que o que achamos ser utópico, impossível e “nice to have” se sobressai ao padrão e “must to have”.

“I like the impossible because there is less competition”

“It’s kind of fun, to do the impossible”

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Thiago Furtado

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[ 22 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Marcelo Viana: Algumas coisas que Aprendi trabalhando em Comércio Exterior

Sobre a saúde

O “trampo” em comex muitas vezes, é cruel. Caso você não tenha um limitador (como em qualquer outra profissão) poderá ter graves problemas com sua saúde.

Há alguns anos atrás, andando dentro do porto me senti mal.

Era uma fria quinta feira a tarde, e logo após o almoço, aguardando a parametrização” das 14h, senti uma dor intensa perto da lombar. Em princípio achei que era uma dor advinda de algum jeito, um movimento brusco, ou algo parecido, mas não era. A dor aumentou tanto, foi tão intensa que tive a sensação de desmaio. Fui amparado por um colega, que entrou em contato com minha irmã e saí de lá direto para uma emergência.

Ao fazer um exame fui diagnosticado com um cálculo renal, que ao “andar” ficou alojado no ureter. Nesta época eu estava com um volume muito grande de trabalho e não me permita intervalos maiores do que 30 minutos para almoço. Tampouco parava para um café ou até beber água. Simplesmente ligava no automático e seguia.

Nesta época para processos de exportação demandávamos de alguns passos, e controlar todo o fluxo era realmente estressante, além do tempo reduzido em um “deadline” e outro.

Da pior maneira tive que parar.  Ao ser internado para uma cirurgia emergencial, pude perceber que em primeiro lugar devemos SEMPRE cuidar de nossa saúde. O fluxo não podia ser daquela forma. As mesmas 24hs servem para todos, e aquilo que eu classificava como “eficiência”, na verdade, era falta de organização. Foram vinte dias internado, e ao deixar o hospital mais quinze dias com um cateter. Com um detalhe irônico: O mesmo tipo o qual eu desembaraçava para uma indústria farmacêutica.

Faça seu trabalho com dedicação, amor, garra, suor, lágrimas, o que seja; mas não descuide nunca de sua saúde.  Um simples copo de água em intervalos regulares pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Descanso faz parte do trabalho. Sem saúde, não tem meta, performance, prêmio ou reconhecimento. Você não tem nada.

Sobre Pontualidade

Trabalhar muitas horas em horários diversos, fins de semana e feriados. E acredite: Você vai adorar isso.

Uma das maravilhas neste setor é a falta de rotina. E quando falo sem rotina, é sem rotina. Um dia nunca é igual ao outro: São canais que não estavam na programação, carga que não cabe na unidade contratada, fiscalização em greve, MAPA que não pode conferir, cliente estressado, carga atrasada…. Um sem fim de situações que podem mudar de forma significativa seu dia. Para o “bem” ou para o “mal”.

Fusos horários, clientes de várias partes do mundo, cultura, feriados, tudo que vai fazer com que você tenha as vezes que acordar de madrugada para atender um telefonema, ou ainda enviar uma mensagem em pleno feriado.

Ao mencionar “comércio exterior”, “logística internacional”, “relações internacionais”, algumas pessoas têm em mente que viajarão o mundo conhecendo vários países. Na maior parte das vezes isso não é possível, não são todas as empresas que tem esta demanda, e viagens assim as vezes são raras. É como no futebol. Nem todos têm o salário dos grandes astros do futebol mundial.

Mesmo sem rotina, é importante ter disciplina e pontualidade. Entregar o prometido. Tão importante quanto uma meta é cumprir prazos; bastando lembrar que neste setor prazos não cumpridos podem transformar-se em prejuízos, tanto para quem trabalha como importador e / ou exportador ou ainda como prestador de serviços. Uma alta performance está ligada diretamente a disciplina.

Sobre mudanças e hábitos

As vezes a própria experiencia faz com que tenhamos a convicção, errada, diga-se de passagem, em não estudar constantemente. Neste mundo tão “líquido” o qual não sabemos o que acontecerá daqui para a frente, não podemos deixar de estudar e se atualizar.

Podíamos imaginar o desembaraço de uma carga assim que ela entrasse no terminal? Receber uma Nota fiscal por e-mail? Para os mais jovens isto é impensável. Mas quem já atua há algum tempo e já viu por exemplo a 4ª via de uma guia de importação de um veículo é um avanço estratosférico.

Nem nos melhores sonhos imaginávamos passar um arquivo (seja uma foto instantânea, formulário, texto, o que for) via mensagem de um aparelho que cabe na palma da mão (que as vezes usamos até para comunicação de voz) de qualquer parte do planeta em tempo real. Não será surpresa caso algum dia a humanidade comece a utilizar o tele transporte da nave USS ENTREPRISE da série fantástica “Jornada nas Estrelas”, e segundo a própria série, a base do transporte é a famosa fórmula do genial Albert Einstein.

Sendo assim, não deixe de estudar. Atualização sempre que possível. Experiencia é algo importantíssimo, e aliada a atualização, aumenta bastante as chances de sucesso. Hoje, dentre as várias ofertas temos a internet como grande aliada oferecendo conteúdo vasto muitas vezes gratuito, para ficar por dentro das novidades.

Sobre Networking

Na nossa área, por mais incrível que isso possa parecer, ainda existem frentes a serem “desbravadas”, e ao estabelecer networking de qualidade, aumentam de forma significativa novas oportunidades, seja você um profissional ou empreendedor da área. Parcerias são fundamentais, este conceito que alguém que trabalha na mesma área de atuação é uma ameaça, não faz muito sentido hoje em dia.

As áreas de atuação são diversas: transportes internacionais, terminais, agentes, despachantes, operadores portuários, armadores…uma gama enorme de áreas as quais muitas vezes a empresa dita como concorrente pode virar seu parceiro comercial ou ainda contratar seus serviços. E todos ganham fazendo o ecossistema do comércio exterior funcionar de forma plena.


Sobre o Marcelo Viana:

Carioca, casado com a Cristiane, pai do Lucas, torcedor fanático do Flamengo, baterista da banda de Rock “Indecisus” é um entusiasta do comex, especialista em exportações, já perdeu as contas de quantos embarques coordenou desde o “cara preta” até hoje com a DUE.

Formado em Administração de empresas com habilitação em Comércio exterior, pós-graduado em gestão estratégica, mestrando em engenharia de transportes, além de diversos cursos e seminários na área tanto no Brasil quanto no exterior, co-autor do livro “A logística no Comércio Exterior III”

Fundador da MVPB Logística, que desde 2003 atende diversas empresas nas áreas de exportação e importação em todo o Sudeste, sempre procurando o máximo de qualidade no atendimento otimizando os resultados através de boas práticas.

Professor e palestrante de diversas instituições de ensino superior no Brasil desde 2003, acredita que a transformação do ser humano é através da educação.

 

Redes: LINKEDIN : www.linkedin.com/in/mvioli

INSTAGRAM: @marcelovianamvpb

BLOG: www.marceloviana.com.br

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[ 20 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Thiago Pagano: A importância dos sistemas integrados para COMEX

Após anos de experiência na área e analisando por todas as empresas pelas quais eu passei, é notório ver que os sistemas integrados entre as áreas, principalmente para as vinculadas a comércio exterior são essenciais para o funcionamento de uma empresa.

São anos vividos nas empresas, onde vi de sistemas grandiosos a até apenas planilhas de Excel, porém, havia falhas que atrapalhavam o funcionamento de produção, estoque, vendas e compras. E o que afeta na área de importação e exportação? Resposta simples, absolutamente tudo.

Em uma das empresas por onde passei, era notório que as falhas do sistema eram tão grandes que causavam erros na contagem de estoque e consequentemente nas áreas de importação e exportação, já que estes furos faziam com que a área de importação comprasse mais, as vezes até sem necessidade, e a área de exportação não conseguisse entregar o produto ao cliente no exterior. Consequentemente a área de vendas internas foi afetada também.

Passado por esta conclusão foi realizado um grande inventário, onde as falhas de estoque foram identificadas e, as áreas passaram a trabalhar com os números corretos. Estes inventários eram feitos até com certa constância, para que as falhas no estoque fossem reduzidas a zero.

Estoque redondo, o sistema ainda era falho, onde não se podiam gerar históricos de movimentações, análise prévia de custos (numerários) para a importação e até mesmo demais custos relacionados ao NCM e a importação como o frete internacional e interno, a armazenagem e demais custos, como possíveis demurrages, multas e etc.

Mais uma vez o sistema era engessado e, quando visto que na importação haviam os chamados “demais custos”, imediatamente a presidência da empresa solicitou a troca do mesmo, adaptando a contagem feita de estoque para um sistema mais “robusto” e que fazia a conversa entre as áreas mais simples e mais completa. Era o fim das planilhas em Excel sem função final.

Em tese, neste sistema novo, a partir da hora em que a solicitação do departamento de vendas era gerada e o estoque estava a uma porcentagem menor que o comum, era gerado um alerta ao departamento de compras e importação, que por este mesmo sistema, fazia um pedido de compra junto ao fornecedor, sendo fora do país ou aqui. Porém antes disto, o produto a ser comprado precisava ser cadastrado corretamente, com o NCM correto, peso estimado, preço do fornecedor e etc.

Com o pedido de compra (Purchase order) em mãos e enviado ao fornecedor, recebida a Confirmação de pedido (Order Confirmation) do mesmo, os dados eram colocados no sistema, colocando demais custos, como o frete interno e internacional (dependendo do incoterm a ser utilizado), a o local de embarque e etc, amarrando assim a quantidade a ser comprada da real quantidade embarcada e, também demonstrando ao financeiro quando e quanto deveria ser pago por aquele pedido. Em tese, um sistema que antes era falho agora era quase perfeito.

Após tudo pago, carga pronta e esperando por embarque, estava na hora de colocar no sistema os demais custos por produto, como o frete e armazenagem internacional, além de demais custos, como capatazia, por exemplo.

Isto era colocado em outra parte do sistema que permitia vincular o pedido de compra, dito anteriormente, com o embarque e demais custos. O sistema permitia essa interação, onde mesmo quando a carga estava para chegar, mediante custos já passados pelo despachante aduaneiro, era possível fazer um numerário prévio, contendo armazenagem no destino, custo de frete rodoviário e outros, como custo de desembaraço e Marinha mercante, para casos de marítimo.

O sistema dava sempre se não perfeito, quase a perfeição de custos, além de informar quando a carga estaria disponível, tudo isso alimentado pelo departamento de importação.

Chegada a carga e a mesma desembaraçada, este mesmo sistema permitia gerar a Nota Fiscal Eletrônica e transmiti-la ao despachante, para que a carga, fosse carregada e entregue.

O mesmo apresentava algumas falhas, porém permitia que tudo fosse vinculado, informando a todas as áreas da empresa que o produto estava disponível ou quando estaria e, sempre passando os FeedBacks a quem era de interesse.

A importância dos sistemas, é para um geral, além de manter um histórico ativo e disponível a todos, permitia que custos fossem previstos, estoques alimentados e que nenhuma parte relacionada fosse pega de surpresa quanto a falha logística ou quebra de produção.

Faz todo sentido que os sistemas custem valores altos, já que os maiores bens das empresas em seus produtos precisam estar de acordo e controlados, por código de barras, por exemplo, porém dizendo a cada área os números corretos e onde estarão os possíveis problemas. Ter um sistema integrado entre fornecedor, prestadores de serviços e clientes é apresentado como o melhor dos mundos e sim, é possível.

Imagine receber de seu despachante aduaneiro que a carga estará disponível em alguns dias, a custos X e apenas transportar estas informações a um sistema já integrado que alimentará o seu estoque, consequentemente alimentando o seu cliente com todos os dados possíveis?

Melhor ainda seria se este sistema fosse vinculado a Receita Federal e qualquer mudança no NCM, como a isenção do Imposto de Importação em uma situação hipotética, fosse direto ao seu banco de dados.

E sim, tudo isto é possível, existem empresas que fazem isto com maestria e fornecem os melhores sistemas ao mercado, basta que sejamos inteligentes e saibamos quais os melhores custos-benefícios dos mesmos e o impacto final onde estamos.

Comércio exterior não é uma queda de braço eterna, entre fornecedores, clientes e prestadores de serviço e sim uma cooperação mútua para que todos sejam alimentados com as melhores informações possíveis.

Interessante falar dos prestadores de serviço, como os agentes de carga, seguradoras e despachantes aduaneiros, por exemplo, já que eles precisam de informações o quanto antes para entregar os seus serviços da melhor forma possível.

Em suma, o quanto antes o sistema estiver rodando bem, o mais rápido nós, responsáveis pelas empresas enviaremos informações e teremos os melhores resultados possíveis, sem que sejamos pegos de surpresa por alguma falha no processo logístico.

Por isto que o melhor de tudo é conhecer o que temos dentro de nossa empresa e também nossos prestadores de serviço, pois com a velocidade de informações passadas e as melhores saídas para desafios, teremos uma cadeia logística funcionando bem, tanto para departamento de compras (nacionais e internacionais), quanto para vendas (exportação, nacionais), como para departamento financeiro e demais.

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Thiago Pagano:
Apaixonado e entusiasta de comércio exterior e atuante há mais de 15 anos na área, Thiago é especialista na área de comércio exterior, principalmente em importação e exportação (área de comércio exterior) dentro de empresas, além de ter criado o canal no Youtube, o ComexFacil, que visa mostrar que importar e exportar não é tão difícil e, hoje em dia vive como consultor de comércio exterior para empresas, especializado em pequenas empresas.

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[ 19 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Wesley Felipe: O ROI no COMEX e na Logística

Caro leitor, com base em meus poucos 12 anos de mercado, passei por algumas experiências interessantes para compartilhar com profissionais da área de logística e comércio exterior, ou com aqueles que desejam ingressar neste setor. Espero que possa contribuir de alguma forma, e que o despertar do COMEX aconteça em você.

Iniciei minha trajetória no comércio exterior, aos meus 17 anos, atuava atendendo grandes contas na exportação, isso com um estágio que realizei na época, posteriormente fui galgando novos cargos, passando por despachante aduaneiro, operadores logísticos, indústria química, sempre trazendo uma visão operacional consistente sobre como melhorar os processos.

Atuei por alguns anos como gestor no setor de trading company, onde era um dos braços direitos do corpo diretivo da cia, esta experiência foi fundamental para meu amadurecimento profissional, cada desafio diário serviu como alicerce para a construção do profissional que me tornei hoje.

Por lidar com players globais, fornecedores, importadores, exportadores, indústrias, despachantes, operadores logísticos, embarcadores, notei muitas oportunidades de saving e ROI nas operações, era com base nisso que construía minhas rotinas e estratégias diárias. Como em um laboratório, algumas experiências deram pouco retorno, enquanto outras deram muito certo, gerando um retorno financeiro mais atrativo e todos saindo felizes.

O que aprendi com tudo isso, é que o setor da logística e comércio exterior, tem suas nuances, quanto mais juntamos técnicas e práticas tornando mais simples aos olhos de quem quer operá-lo, melhor fica para todos nós, pois precisamos fortalecer a relação de comércio global, eliminando barreiras e fronteiras, inclusive da falta de comunicação em outros idiomas. A informação de qualidade nessas horas é crucial para que resultados almejados, sejam de fato alcançados.

Pude notar, que o fato de algumas empresas não terem uma consultoria de processos bem acompanhada,  às vezes pelo porte e budget, fica ainda mais difícil de se gerar um ROI operacional atrativo para o negócio.

E A TECNOLOGIA?

Agora vamos falar um pouco do estilo operacional que gera maiores resultados, observando diariamente as rotinas operacionais, notei que existe a necessidade de todas as empresas do setor, gerar melhores rotinas operacionais, como em um funil de vendas mais direcionado e ágil, o processo operacional precisa ser otimizado, gerando a execução certa do tempo para condução dos processos, uma sugestão importante que tenho a partilhar é, revise o cenário do seu negócio e os trâmites operacionais, veja onde é possível aplicar tecnologia, pois onde o trabalho humano pode ser automatizado, seus colaboradores podem usar a mente de forma estratégica, e então ficarão voltados a gerar maiores retornos de vendas e melhores negócios para a empresa, ainda que cada um em seu departamento.

Através da indústria de tecnologia, constantemente integrações e updates são feitos em diversas soluções, para tornar o dia-a-dia do profissional de “COMEX” mais leve e direcionado.

Por também fazer parte de RFP- Request for proposal para compra de sistemas, lidando com sistemas de gestão para comércio exterior e logística, notei milhares de possibilidades que de fato geram uma melhor taxa de success fee operacional.

Quando falamos de melhorar o processo de “COMEX” e logística, imagine uma matriz onde você pode processualizar a inovação de seus processos e projetos internos, imaginou?.

Agora idealize o que tem que ser feito para que 5 passos se torne 1 em cada fase do seu processo. Aí que estará o segredo, avalie tudo que pode ser integrado e automatizado dentro do seu fluxo operacional, mesmo respeitando as regras do comércio exterior e logística. Vinculando ainda isso com a indústria da tecnologia, que está cada vez mais se fortalecendo para promover as melhores práticas, com a finalidade de agilizar seu processo operacional, elimine problemas e erros com digitação ou tempo de produção, em suma uma planilha em excel, ou 15 planilhas em excel pode se tornar uma tela web para se gerir seus embarques. Agora imagine você conseguindo otimizar seu processo além de contratar uma solução que traz esta inteligência.

 

Vamos falar de ROI quantitativo?

 

Agora vamos entender o ROI – Return of Investment (Retorno do Investimento), com mindset de investidor, supondo que você investiu 1 milhão de dólares em um negócio de exportação e importação, então você espera gerar uma taxa de 7,80% de retorno sobre este investimento em 60 meses (5 anos), o payback deste montante de 1 milhão de dólares veio em 13 meses, que seria quando o valor do capital já foi pago, o restante do período entrará como lucro onde o retorno do investimento com esta decisão ultrapassou a margem do investimento, valendo a pena sua decisão no período zero conforme gráfico do link abaixo, com uma taxa de 7,80% de ROI. Neste exemplo, estamos dizendo que em 60 meses você teria um retorno de US$ 4,680.000.00 no final deste prazo, ou seja lucrando US$ 3,680.000.00 em 5 anos sendo que em 1 ano e 1 mês o investimento já teria sido pago (Payback).

 

https://www.youtube.com/watch?v=lw3jZ4hTKqY

 

Interessante enfatizar, que este cenário apresentado acima versus este valor podendo ser operado no mercado financeiro com estratégias de day trade e swing trade com operações estruturadas, que assim como o comércio exterior, também oferece risco. Tudo é uma questão de escolha estratégica dos seus negócios.

Sabendo destes conceitos, agora imagine o seu investimento, ou seja, o dinheiro no tempo. 

 

Como ele pode ser operado estratégicamente?

 

Imagine que o custo homem hora do seu processo é validado como o dinheiro no tempo, ganhando e perdendo valor, isso tem um preço que consiste no seu dinheiro que sobe ou desce de acordo com a produtividade e estratégias diárias.

Temos que nos atentar com alguns pilares de custos no momento de análise deste ROI, custos operacionais, custos ocultos, custos diretos e indiretos.

Ao definirmos estes custos de maneira direcionada, avaliamos como melhorar os indicadores de saving de sua operação, que seria a economia que traz através de decisões estratégicas assertivas no “COMEX/LOG”, sempre defina estratégias de saving/economia que gera melhores resultados em ROI quantitativo.

Existem outros indicadores para checar a viabilidade do negócio, exemplo o VPL de um investimento é igual ao valor presente do fluxo de caixa líquido do projeto em análise, descontado pelo custo médio ponderado de capital. A Taxa Interna de Retorno – TIR é a taxa “i” que se iguala as entradas de caixa ao valor a ser investido em um projeto.

Value at Risk ( VaR) é um método para avaliar o risco em operações financeiras. O VaR resume, em um número, o risco de um produto financeiro ou o risco de uma carteira de investimentos , de um montante financeiro. Este nível de confiança nos indica que é esperada perda maior que a calculada pelo VaR.

Mais dicas sobre ROI quantitativo, continue nos acompanhando.

 

E o que seria o ROI Qualitativo?

 

O ROI qualitativo, refere-se a tudo que gera ganho intangível que traz qualidade operacional e de execução no processo, está relacionado aos benefícios nem sempre mencionados em números, exemplos a seguir:

  • Agilidade operacional;
  • Aumento de foco na visão estratégica do negócio;
  • Crescimento do potencial do time;
  • Ganhos financeiros através da qualidade operacional;
  • Crescimento do valor da marca, mais respeito e reconhecimento por seus clientes e pelo mercado;
  • Redução de tarefas repetitivas;
  • Redução de documentos avulsos que não são integrados ao processo.

Em suma, são inúmeros os benefícios, para que se faça um levantamento mais apurado, é necessário que profissionais realizem um diagnóstico com base na experiência do negócio, montando então um time de viabilidade em ROI, recomenda-se que traga para dentro deste projeto alguém com uma visão de fora, um consultor experiente que apoie este tipo de análise.

A somatória do ROI qualitativo e do ROI quantitativo é o que fará seu negócio cada vez mais crescer exponencialmente.

Quer saber mais sobre assuntos e dicas do COMEX e Logística Nacional e Internacional?

No decorrer da caminhada darei mais algumas dicas interessantes voltadas a minha trajetória profissional, espero que possamos contribuir juntos cada vez mais para que todos possam ter uma leitura de qualidade sobre comércio exterior, logística nacional e internacional.

Encerrarei este artigo com uma frase que me move, citada por  Napoleon Hill.

 

  • Whatever the mind of man can conceive and believe, it can achieve.
  • The starting point of all achievement is desire.
  • O que quer que a mente do homem possa conceber e acreditar, ela pode alcançar.
  • O ponto de partida de toda conquista é o desejo.

 

Napoleon Hill, (1883-1970)

 

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Wesley Felipe

Profissional com foco em gerenciar a implementação dos projetos de tecnologia, logística e comércio exteror. Tomando como base as exigências/necessidades dos clientes e dos processos. Estruturação do plano para atendimento do escopo técnico, planejamento, coordenação do trabalho técnico e acompanhamento do desenvolvimento ao londo do período, garantindo que os projetos sejam entregues dentro do escopo nos prazos acordados, nas especificações requeridas, qualidade, segurança e legislação vigente, para obter a satisfação do cliente.

Profissional trilíngue, orientado para área de negócios, atuou no comércio exterior e logistica nacional e internacional por mais de 11 anos, embarcando cargas de diversos continentes. Habilidades para atual em negociações e compra e venda, já viajou para diversos continentes como foco em gerar resultados e conduzir reuniões para fechamento de contrato. Atuou em trading company, indústria química e em agente de carga.

Professor, palestrante e apresentador do programa TV Agora que são elas. Fundador da ROI Learning.

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[ 13 de maio de 2020 por Equipe CDT 0 Comentários ]

Thiago Pagano: Por que a mística de se lançar no comércio exterior é tão forte?

Depois de tanto tempo trabalhando na área de comércio exterior, tantas experiências em diferentes empresas, tanto importadores, quanto exportadores e prestadores de serviços, cheguei a um ponto chave em minha vida, onde dependia apenas de mim para trabalhar.

Quando me lancei em outro país, indo embora do Brasil, vi que tinha que me virar para viver, já que onde escolhi morar não havia emprego. E o que fazer? Como iria colocar comida dentro de casa e pagar minhas contas?

Decidi colocar em prática tudo aquilo que tinha vivido em minha vida profissional, mas agora dependendo apenas de mim. Com uma ideia na cabeça, movido por contas a pagar e outras pequenas motivações, decidi oferecer para pequenas empresas aqui no Brasil, a oportunidade de importar e exportar produtos, sem nunca terem feito antes.

A ideia era simples, ao invés da empresa contratar um CLT e pagar salários, me pagaria por processo e quando precisasse, falaria comigo. No final das contas, tinha terceirizado a área de comércio exterior para pequenas empresas.

Foi quando assim vivendo, com pequenos clientes, comecei a esbarrar em um medo comum das empresas brasileiras, o medo que “importar é difícil, caro e burocrático” e que “exportar é apenas para grandes empresas”.

E por que estes medos existem?

Muito simples: Tudo vem do ponto de vista que o daqui não é bom o suficiente e o de fora é caro. Pura ilusão, já que por história do país somos grandes exportadores de matéria-prima, ou commodities e importadores de produto acabado, desvalorizando o que originalmente é nosso.

Como eu dizia em minha vivência fora do país: “O Brasil é bom, o povo é trabalhador, a terra é boa, existem empregos, a vida é que é cara e muito política”.

Mas voltando ao fato de que importar é caro e complicado, doce ilusão, já que para você importar um produto simples, é apenas necessário ter um RADAR, que dependendo do valor de como se enquadra (expresso, limitado ou ilimitado), um bom despachante aduaneiro tira em 3 telas de computador e 10 minutos de trabalho. Para exportar é apenas necessário o radar Expresso.

Para isto, é necessário apenas mantê-lo ativo por 6 meses.

E então se é tão simples assim tirar um radar, por que é tão caro importar?

Simples, talvez porque a classificação fiscal utilizada é bem mais cara do que a adequada ao produto ou mesmo os modais utilizados não são os melhores possíveis.

Certa vez, trabalhando em uma empresa, vi que o modal aéreo utilizado pela mesma era apenas caro, já que a fábrica estava bem alimentada e trazer via marítimo em LCL seria tão mais barato, porém mais demorado (aéreo chegava em 3 dias, marítimo demoraria 15), porém o LCL no caso era quase 55% mais barato que o aéreo. Conclusão? A empresa teve uma redução de custo bem significativa e passou a importar em quantidades maiores, abastecendo a fábrica em tempos maiores. E a classificação fiscal então? Mais errada do que utilizar FOB para modal aéreo (Ainda vejo profissionais da área falando isto). E a armazenagem então? Era ruim, pois a pessoa que fazia a importação não estava preocupada com nada disto. Depois de um estudo total, muito tempo de trabalho extra e horas extras no escritório, bem, até prêmio recebi pela redução de custo absurda que propus. Era uma simples adaptação e abrir um pouco a cabeça.

Mas voltando a mística de que é caro, nem sempre, se encontrar bons fornecedores com um custo-benefício de produto interessante, podendo internamente competir com produtos feitos aqui. Em outras palavras, se bem estudado, preparado, a empresa poderá ter lucro, mesmo importando a um valor de câmbio alto ou também aproveitando de oportunidades de mercado.

Em tese, como o ditado fala, “enquanto uns choram, outros vendem lenços”

Voltando ao fato de importação, é apenas uma questão de estudo de mercado onde está inserido, o que os clientes solicitam e onde se pode ter um lucro maior. Tudo em importação é adaptável.

Já na parte de exportação, o mito de custos altos cai, quando não existem impostos para exportar (sim, o governo estimula isto), apenas sendo cobradas as armazenagens, liberação de carga (valores de despacho) e em algumas vezes, o transporte origem – destino.

Sejamos sinceros, as oportunidades em comércio exterior são ilimitadas, apenas tem que se preparar para isto, visto que informação hoje em dia está em um clique ou nos velhos livros e apostilas.

Por fim, existe o misticismo de que os impostos são caros e, realmente não deveriam ser tão altos, mas vamos fazer uma suposição: Se sua empresa utiliza um produto importado para fazer um produto aqui e exporta-lo, bem, existe a possibilidade de Drawback, sendo o mesmo de isenção ou redução. O Drawback nada mais é do que a isenção ou redução de impostos pagos na importação para produtos que serão utilizados para industrialização e exportação de um produto acabado. Em outras palavras, até em uma importação é possível não ter impostos, sendo cobradas as devidas taxas, como Siscomex, armazenagem e etc.

Outro ponto extremamente interessante e importante é que quanto mais a documentação da carga para importar ou exportar estiver “redonda”, menos a mesma terá uma parametrização diferente de verde, acarretando em menos armazenagens, possíveis multas e outros custos possíveis.

E lembrem-se, não existe o fato de fiscal da Receita Federal querer dinheiro para liberar a sua carga

Em geral são honestos e fazem o trabalho deles corretamente, classificando sua carga em verde ou não. O fato é que também não podemos viver no “mundo de arco-íris da Xuxa”, mas comércio exterior, se trabalhar corretamente,  os resultados serão melhores do que os esperados.

Já para a exportação, existe uma grande vantagem que poucos sabem, que é a desvalorização da nossa moeda. Parece contraditório, mas não é. A explicação é simples; se um produto a ser exportado tem um valor custo-benefício bom, qualquer baixa da moeda local fará com que mais produtos sejam vendidos. Em outras palavras, em um exemplo clássico: Se seu produto vale R$100,00 a um dólar a R$2,80, quanto o mesmo produto valerá valendo a um dólar de R$5,00? Simples, ele estará “desvalorizado” em 44%, custando menos. E isto pode ser ótimo, já que o cliente no exterior poderá comprar mais e gastar mais, com a ideia de “vou aproveitar uma pechincha”.

Tudo em comércio exterior pode e deve ser aproveitado, desde o pallet de madeira antigo, que pode ser utilizado como algo para armazenagem, até um processo de Drawback bem feito. O misticismo no comércio exterior deve acabar, e cabe a nós, marinheiros desta área, reforçar para que isto não ganhe força.

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Thiago Pagano:
Apaixonado e entusiasta de comércio exterior e atuante há mais de 15 anos na área, Thiago é especialista na área de comércio exterior, principalmente em importação e exportação (área de comércio exterior) dentro de empresas, além de ter criado o canal no Youtube, o ComexFacil, que visa mostrar que importar e exportar não é tão difícil e, hoje em dia vive como consultor de comércio exterior para empresas, especializado em pequenas empresas.